“A escola pública não são paredes, mas sim pessoas, todas as que constroem a comunidade escolar.
Precisamos de criar escolas mais livres, que valorizem os professores e profissionais, que envolvam os alunos, e que ensinem a igualdade, liberdade, e combatam o ódio.
Precisamos de abordagens pedagógicas que favoreçam a cooperação entre os alunos e uma nova organização, não baseadas em turmas, mas em comunidades de aprendizagem
Precisamos de escolas livres, com mais autonomia, mais flexibilidades e de que integrem na Escola Pública novos modelos de ensino, centrados no aluno e na relação entre o professor e o aluno.
Precisamos discutir a Escola Pública, de pôr a Escola Pública como prioridade, de trazer a Escola Pública para o Século XXI.
Há muito para fazer na Escola Pública, de fazer democracia dentro das escolas, democratizando o seu funcionamento, envolvendo alunos e os jovens, porque a democracia e a cidadania acontecem, em primeiro lugar, na Escola, que deve ser a casa da democracia.”
Finalmente, uma voz atenta e fundamentada intervinha naquele hemiciclo. Nos anos que precederam essa intervenção, as comissões de educação entretinham-se em inúteis debates. Por exemplo, “tentando determinar o número ideal de alunos por turma e sala de aula”, no pressuposto de que deveria haver turmas e salas de aula, “achando” que escolas eram prédios.
O deputado Paulo Muacho recordava aos seus colegas aquilo que, há um século um Anísio brasileiro e um Sérgio português tinham predito: “que as nossas escolas tenham um padrão mais alto do que o Parlamento”.
Uma bela e merecida achega! Finalmente, alguém falava de Educação na Assembleia da República!
No mesmo dia dessa bela intervenção, a Professora Cátia agradecia aquilo que não precisaria agradecer:
“Obrigada, por estar atento à situação da nossa escola. Para que possa ficar a par do que já foi feito, passo a descrever:
participação em todas as assembleias municipais, com testemunhos de pais de alunos;
participação de ex-alunos, já adultos, que estudaram na escola;
participação em assembleias de freguesia, da mesma maneira que nas assembleias municipais;
visitas de vários partidos à escola, para poderem comprovar que, apesar de a escola precisar de alguma manutenção, não oferece nenhum perigo para as crianças;
entrevista e reportagem num jornal local;
intervenção da Diretora do Agrupamento, a comprovar a sua posição contra o encerramento da escola;
abaixo-assinado promovido pelos encarregados de educação;
petição pública promovida por uma encarregada de educação;
realização de uma reunião de Assembleia de freguesia extraordinária sobre o encerramento da escola, que foi realizada no dia 13 de maio;
Aprovação, por unanimidade, na Assembleia de Freguesia contra o encerramento da escola;
reunião de pais com o Executivo da Junta de Freguesia;
reunião com encarregados de educação, executivo da Junta e Direção do agrupamento com a vereadora da Educação da Câmara Municipal;
telefonema por parte da diretora ao ex-ministro João Costa, que se disponibilizou para falar com a Câmara a respeito;
apresentação por um partido, em reunião de câmara, de uma moção contra o encerramento da escola (5 a favor 6 contra);
colocação de uma faixa contra o encerramento da escola.”
Mas, a autarquia continuava a achar que a escola era um prédio e que deveria haver turmas e salas de aula, e ameaçava “fechar a escola”.
