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Postagens

Cajueiros, 7 de janeiro de 2026

Um episódio trágico deu que pensar... Um aluno de escola próxima cometera suicídio – eu sei que custa aceitar a ideia do suicídio na infância, mas a criança em causa, ao que pude apurar, há muito evidenciava comportamentos que poderiam ter sido sinais de alarme – ficamos atentos a pormenores. A Inês ficava fixando os olhos num ponto qualquer e se ausentava. O Júlio infligia a si próprio um contínuo sofrimento, com qualquer objeto cortante que estivesse à mão, se automutilava. O Vasco alternava súbitos gritos com longos períodos de prostração. Falou-se de desencontros, de falta de comunicação, de sofrimentos. O que, até então, poderia ser considerado tabu, passou a ser encarado como déficit de atenção. Não que aqueles professores andassem distraídos, mas que não se perderia nada em atentar em insignificantes significâncias. A caixinha dos segredos (assim foi batizada pelos alunos) passou a encher-se de mensagens de seres sedentos de diálogo. Havia os que colocavam na caixinha papé...
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Iguabinha, 6 de janeiro de 2026

Daniel Pennac viveu uma escolaridade desastrosa. Dizia ser um péssimo aluno, vítima de uma “ disortografia  infantil”… e acabou professor de literatura. Referência em pedagogia, é autor do "Diário de Escola", no qual nos fala sobre os principais valores a serem resgatados pela educação contemporânea. Em 1979, realizou uma estadia de dois anos no  Brasil e escreveu o romance “O ditador e a cama de rede”. Regressado à França, começou a escrever para as crianças e publicou “Como um Romance”, um ensaio de pedagogia ativa, lúcida e entusiasta, no qual apresenta o que chama de “Direitos imprescritíveis do leitor”: “Não se pode forçar uma curiosidade, temos que despertá-la”. “Que pedagogos éramos quando não tínhamos a preocupação da pedagogia!” – exclama Daniel na sua obra “Como um Romance” - aparte os formalismos, as preocupações excessivas com métodos, resultados e acertos, existem valores que crianças, pais e professores compartilham. Estes valores são os pilares ...

Cabo Frio, 5 de janeiro de 2026

Ser esperançoso é escrever para os netos e para os filhos dos filhos dos nossos filhos, na apaziguadora certeza de que eles serão os nossos olhos, as nossas mãos, as nossas vontades, quando os seus filhos forem, finalmente, as crianças felizes e sábias, que eu desejaria todas as crianças de hoje fossem. O que nos resta como deliberação é o primeiro passo de cada dia. É acolher cada afago do destino como primeiro e derradeiro, e encarar a fealdade dos dias como possibilidade do belo – nada mais! Se assim não fosse, como conseguiríamos suportar desmandos engendrados pelo sistema educacional que nos é imposto? Diariamente, fico alguns instantes em silêncio, em memória das suas vítimas. E a paciência já não é virtude bastante – é preciso não esperar. Não me move apenas o baixo rendimento académico dos alunos, bem expresso e documentado em recentes estudos. Quem conseguirá explicar porque, séculos volvidos sobre Copérnico e da Vinci, metade da população dos Estados Unidos ainda crei...