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Grande Flor de Pedra, 23 de setembro de 2044

Nos idos de vinte e quatro, o Sistema Educacional ainda permanecia estagnado na proto-história da Educação… e da Humanidade. Confirmava-se a premonição de Darcy: a crise da educação não era uma crise, era um projeto, que se prolongava sem cessar.

Nesse ano, ofereci a educadores éticos um dos possíveis “caminhos das pedras”, para a saída da crise-projeto. Era, tão só, aquele que eu conhecia e que tão bons resultados obtivera – o da Escola da Ponte. Se outros caminhos houvesse, que se apresentassem!

Não era um mero processo de Mudança Educacional, mas da produção da conceção e desenvolvimento de processos de Inovação, através da introdução.

de práticas sociais integradoras e da utilização de modalidades formativas efetivamente transformadoras como o círculo, a oficina, a tertúlia…). As principais caraterísticas dessas modalidades – a praxeologia, o isomorfismo e a firmação do sujeito de aprendizagem – criaram condições de reelaboração da cultura pessoal e profissional dos educadores.

Operamos mudança das práticas, por termos adotado pratica uma “dialética freiriana invertida”. Ao invés do refletir-agir-refletir (ou do académico e inútil refletir-refletir-refletir) começamos pelo agir, refletir e voltar a agir, simultaneamente, “praticando Darcy”. Isso mesmo: já havia saudades do futuro, suavizadas com a inabalável decisão de praticar Darcy. Eu estava na presença de educadores amorosos, desejosos de melhorar a vida das crianças, entregando-se à faina de doar seres humanos humanizados aos mundos que se iam abrindo. 

Com bom senso e recurso a uma ciência prudente, adaptando e integrando diversas contribuições teóricas, dispensamos o uso dos paliativos disponíveis no supermercado da formação, e contribuímos para que a Escola Pública não continuasse a ser sucateada e mercantilizada.

“Refizemos Pontes”, partindo da sala de aula e daquilo que éramos, daquilo que sabíamos (ou acreditávamos saber) e do que já sabíamos fazer.

Ao cabo de mais de meio século, voltei a dar aula em sala de aula (física e virtual), porque era essa a competência maior dos professores – o modo como o professor aprendia era o modo como o professor ensinava, como muito bem esclarecia o princípio do isomorfismo na formação. Compreendi que deveria valorizar essa competência.

No processo formativo, que decorreu entre setembro e dezembro, “não jogámos o menino fora com a água do banho”, realizamos integração paradigmática, aproveitamos tudo o que poderia ser útil dos paradigmas da instrução, da aprendizagem e da comunicação. Não operamos ruturas, transições paradigmáticas – refizemos o projeto “FAZER A PONTE”. 

Educadores brasileiros fizeram uma “Escola da Ponte no Brasil”. E dirigi convite a educadores portugueses para que refizessem a Ponte em Portugal.

Tratava-se de um processo de formação de formadores, que viria a ser adotado em inúmeras situações e, quando adaptado a diferentes contextos, aplicado em diferentes lugares.

Muitos mestres afirmavam o primado do fazer. Anatole afirmava que para se fazer grande coisas, não bastava sonhar. O Dewey, já no início do século passado, escrevera que aprendíamos “by doing”. O Renato Teixeira cantava que cada ser carregava em si o dom de ser capaz. E o Mestre Yoda avisava: 

“Faça, ou não faça! Não existe tentar!” 

Toda a caminhada de transformação começaria pelo primeiro passo – pela decisão ética de mudar. Depois, seguindo a via de uma dialética freiriana invertida, começando pelo FAZER… refletindo. Isto é: agindo, refletindo, refazendo. 


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Tendo sido a Ponte a primeira escola a conseguir transitar de práticas do paradigma da instrução para o paradigma da aprendizagem, vi-me na necessidade de “explicar o modo” de “transitar”. E acompanhei processos de Transformação Vivencial, na transição do Núcleo de Iniciação para o de Consolidação. No contexto de uma prática formativa isomórfica, agi com os professores do mesmo modo que eles iriam agir com os seus alunos. No início dos anos noventa, eu havia elaborado um “Perfil de Transição do Núcleo da Iniciação para a Consolidação”. Embora ele tivesse sofrido correções e atualizações, parti desse “Perfil” para o adequar a uma Nova Construção Social, nos idos de vinte e três.  Aqui vos deixo parte de um documento, que com extraordinários educadores analisei, um quarto de século após a sua redação. Perdoai a ingenuidade do texto e alguns equívocos nele contidos. Não vos esqueçais de que foi elaborado há mais de cinquenta anos. “Perfil de Transição do Núcleo da Iniciação para a Con...