Após uma breve pausa na correria habitual, o reencontro com filho e netos, breve pausa no frenesim pedagógico, para mitigar saudades. Para trás ficavam as comemorações da Revolução dos Cravos. No dia seguinte, viagem para Grândola, a “terra morena” do Zeca Afonso, num evento que o amigo João preparara com esmero.Numa manhã de um domingo primaveril, a Ana e o Gilberto nos apresentaram famílias e professores preocupados com o futuro escolar dos seus filhos e alunos. Nesse fim-de-semana de vinte e cinco, dei- lhes conta de radicais decisões, anunciei=lhes o nascimento de uma nova construção social de aprendizagem.
Quase 50 anos eram passados sobre a publicação do livro “A hecatombe escolar” do Georges Bastin. O prefácio assim rezava:
"Este livro destina-se a pais ansiosos com as dificuldades que os seus filhos sentem, aos educadores que procuram uma explicação para a mediocridade dos seus alunos e para as suas próprias desilusões e a todos aqueles que se inquietam com as hecatombes escolares e que se interrogam acerca do futuro da juventude e da rentabilidade do sistema escolar”.
O autor analisava os diferentes fatores de sucesso e insucesso atribuíveis à organização dos estudos. Constatando o enorme desperdício de esforços e de meios que representa para a sociedade a taxa crescente de inadaptações e de insucessos, o autor concluia pela necessidade urgente de uma tomada de consciência mais objetiva dos elementos de inadaptação, de uma colaboração mais estreita entre pais e pedagogos, de uma união dos esforços de todos os especialistas (médicos, psicólogos, sociólogos) em ordem a uma visão pluralista dos casos reputados “difíceis."
Entretanto, Mounier dissertara sobre a personalização do ensino e Dottrens sobre ensino individualizado, enquanto Bordieu, Passeron e Giroux denunciavam a escola reprodutora de um modelo escolar e social iníquo.
Escolas particulares tinham assimilado na exterioridade a proposta escolanovista, mantendo o status quo enfeitado de materiais Montessori, com hortinhas, aulas de meditação e arremedos digitais.
A rede pública nem isso assumia fazer. Os professores permaneciam distraídos, na solidão das salas de aula, reproduzindo um modelo de ensinagem hierárquico, autoritário, excludente, amoral e intelectualmente corrupto. Os psiquiatras acolhiam professores enfermos. Centros de “explicações” surgiam como cogumelos. Palestrantes davam notícia de pseudo-inovações. E, sob o manto diáfano de um agressivo marketing, recorrendo à mistificação, a administração tentava disfarçar a sua incapacidade de recriar a escola.
A hecatombe educacional era um desastre “naturalizado”, não era um fenómeno natural. Diferentes foram os destinos daqueles que procuravam resguardar os seus filhos dos malefícios de um velho sistema de ensinagem. A Tânia e o Nuno cuidaram de criar um começo de comunidade adequado à educação da Violeta e do Vicente. Mas, o mesmo a Sandra não conseguiu. Os seus filhos fizeram-na mudar de cidade, em busca de uma escola que deles devidamente cuidasse. Perdida a fé nas escolas ditas “públicas”, optou pela matrícula num colégio privado. Nada decorreu como esperava, pois a filha integrava o rol de crianças com dislexia.
“Senti-me muito perdida."
Socorreu-se de terapeutas, psicólogos e de “explicações”, até colocar os filhos em “ensino doméstico”. Acabou coproprietária de um... “Centro de Explicações”.
Como sair desse atoleiro pedagógico?
É o que eu tentarei “explicar” em didáticas cartinhas, a publicar durante esta semana.
Quase 50 anos eram passados sobre a publicação do livro “A hecatombe escolar” do Georges Bastin. O prefácio assim rezava:
"Este livro destina-se a pais ansiosos com as dificuldades que os seus filhos sentem, aos educadores que procuram uma explicação para a mediocridade dos seus alunos e para as suas próprias desilusões e a todos aqueles que se inquietam com as hecatombes escolares e que se interrogam acerca do futuro da juventude e da rentabilidade do sistema escolar”.
O autor analisava os diferentes fatores de sucesso e insucesso atribuíveis à organização dos estudos. Constatando o enorme desperdício de esforços e de meios que representa para a sociedade a taxa crescente de inadaptações e de insucessos, o autor concluia pela necessidade urgente de uma tomada de consciência mais objetiva dos elementos de inadaptação, de uma colaboração mais estreita entre pais e pedagogos, de uma união dos esforços de todos os especialistas (médicos, psicólogos, sociólogos) em ordem a uma visão pluralista dos casos reputados “difíceis."
Entretanto, Mounier dissertara sobre a personalização do ensino e Dottrens sobre ensino individualizado, enquanto Bordieu, Passeron e Giroux denunciavam a escola reprodutora de um modelo escolar e social iníquo.
Escolas particulares tinham assimilado na exterioridade a proposta escolanovista, mantendo o status quo enfeitado de materiais Montessori, com hortinhas, aulas de meditação e arremedos digitais.
A rede pública nem isso assumia fazer. Os professores permaneciam distraídos, na solidão das salas de aula, reproduzindo um modelo de ensinagem hierárquico, autoritário, excludente, amoral e intelectualmente corrupto. Os psiquiatras acolhiam professores enfermos. Centros de “explicações” surgiam como cogumelos. Palestrantes davam notícia de pseudo-inovações. E, sob o manto diáfano de um agressivo marketing, recorrendo à mistificação, a administração tentava disfarçar a sua incapacidade de recriar a escola.
A hecatombe educacional era um desastre “naturalizado”, não era um fenómeno natural. Diferentes foram os destinos daqueles que procuravam resguardar os seus filhos dos malefícios de um velho sistema de ensinagem. A Tânia e o Nuno cuidaram de criar um começo de comunidade adequado à educação da Violeta e do Vicente. Mas, o mesmo a Sandra não conseguiu. Os seus filhos fizeram-na mudar de cidade, em busca de uma escola que deles devidamente cuidasse. Perdida a fé nas escolas ditas “públicas”, optou pela matrícula num colégio privado. Nada decorreu como esperava, pois a filha integrava o rol de crianças com dislexia.
“Senti-me muito perdida."
Socorreu-se de terapeutas, psicólogos e de “explicações”, até colocar os filhos em “ensino doméstico”. Acabou coproprietária de um... “Centro de Explicações”.
Como sair desse atoleiro pedagógico?
É o que eu tentarei “explicar” em didáticas cartinhas, a publicar durante esta semana.
