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Tupanciretã, 29 de maio de 2045

De volta ao tema “avaliação”, escutemos o Mestre Lauro, que assim se manifestava acerca da pseudo-avaliação, que nesse tempo (e ainda nos idos de vinte) se fazia:

“O atual processo de verificação de rendimento, se por um lado é instrumento precário e anticientífico de avaliação, por outro favorece a criação de perigosos hábitos e atitudes de desonestidade, fraude, de confiança no “fator sorte” e de memorização, desorganizando a vida intelectual do aluno e preparando-o para estender à vida de cidadão e de profissional os processos corrompidos aprendidos nos bancos escolares. Seria melhor que nada se verificasse a possibilitar a aprendizagem de atitudes desonestas ou deformadoras, como atualmente acontece nas escolas.

As provas e exames dificilmente permitem verificar o comportamento do indivíduo numa “situação de vida”.  Não nos devemos basear em “conhecimentos atuais” apurados numa emergência (por exemplo, nos vestibulares). Exame de admissão é resquício de escola aristocrática. Para onde irão os eliminados pelo sistema de seleção? Usar provas e exames como recurso de coação para promover o estudo, não só demonstra a incapacidade do professor, como cria tensões psicológicas altamente prejudiciais à formação de uma personalidade tranquila e ajustada.

Não deve haver horas especiais de verificação. Todo o momento é ocasião de apreciar o rendimento escolar. O sistema de verificação que consiste em comparar os alunos entre si não só é profundamente injusto, como provoca hostilidades, quebrando a desejável solidariedade que deve ser cultivada na juventude.

A medida de cada aluno só pode ser ele mesmo. O professor não deve fazer “classificação de alunos”, não deve fazer da verificação uma espécie de “vômito intelectual”, nem fazer julgamentos milimétricos (em décimos e centésimos). Se o aluno não aprendeu, o professor não ensinou”.

E o Mestre ia ao fundo da questão:

“As escolas não são escolas seletivas. São escolas para todos. Como são obsoletos e anticientíficos os processos didáticos ainda utilizados nas escolas, quase todos baseados em técnicas expositivas e em processos não-ativos. A estrutura escolar baseada (como vem sendo) em pura “informação” está fadada ao mais completo fracasso. O professor jamais concorrerá, vitoriosamente, com os modernos meios de informação, mesmo que as escolas se equipassem com todos os recursos técnicos de transmissão de informações”.

Mais de meio século decorrido sobre a publicação desse texto, as escolas continuavam a ”usar provas e exames como recurso de coação para promover o estudo”. Os professores não sabiam avaliar, mas faziam “classificação de alunos”.

Os ministros e secretários, certamente, não tinham lido as obras do Lauro. Acaso as tivessem lido, não tinham entendido a mensagem – não nos esqueçamos de que, nessa época, havia analfabetismo funcional na universidade.

Vai para trinta anos, na esteira das considerações tecidas pelo Mestre Lauro, o meu amigo Celso dizia que a avaliação era uma estratégia fundamental para a existência, considerando que não nascemos prontos, nem programados e que nos constituímos por nossa atividade. Escutemo-lo:

“A avaliação nos ajuda na tomada de consciência dos acertos, o que é decisivo para o fortalecimento da autoestima, propiciando condições para novas aprendizagens.

A tomada de consciência dos erros, por sua vez, é importante para que possamos nos comprometer com sua superação, aprender com eles (...) A avaliação é, sem dúvida, uma conquista da espécie humana”.

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