Avivando a memória… No agosto de 2001, para tornar possível a extensão do Projeto Fazer a Ponte aos 2º e 3º ciclos do ensino básico, foi criada a Escola Básica Integrada de Aves / S. Tomé de Negrelos, em regime de experiência pedagógica, com base no Agrupamento de Escolas de Aves / S. Tomé de Negrelos.
A criação dessa escola se justificou, exclusivamente, por razões do foro pedagógico. Mas a experiência viria a revelar-se uma “armadilha”. Pequenas e grandes traições de “professores” (entre aspas por não serem merecedores desse nome) e de políticos moralmente corruptos agravaram uma crise aberta com o ministério.
Em 2003, funcionários do ministério se deslocaram, várias vezes, a Vila das Aves, para aí procurar terreno para ampliação das instalações da Escola da Ponte. No dia 24 de março de 2003, a comunidade educativa da Escola da Ponte, em carta dirigida ao Ministro da Educação e ao Presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso manifesta a sua insatisfação e indignação:
“Há um tempo para apelar e outro para exigir. E nós já estamos quase a ultrapassar o limiar do desespero. Chegou, portanto, a hora de exigir.
Não exigimos do país e das autoridades o que a outras escolas tem sido negado. Exigimos apenas que sejam honrados os compromissos livremente assumidos pela administração e a reposição de uma situação que permita a esta Escola continuar a educar os seus alunos com a qualidade que as suas famílias, muito legitimamente, reclamam”.
Creio que será curial fazer a cronologia das trocas epistolares realizadas entre os meses de julho e agosto de 2023:
2 de julho de 2003 – Em carta dirigida ao Ministro da Educação, os pais da Escola da Ponte referem:
“Há mais de três meses que aguardamos uma resposta à exposição que lhe dirigimos no passado dia 24 de março”.
Solicitam ao Ministro “a resposta que, há mais de três meses, nos tem vindo a ser negada”. Terminam com um desejo: “Que a razão o ilumine!”
15 de julho de 2003 – Em carta dirigida ao Ministro da Educação, a Associação de Pais da Escola da Ponte solicita que a “receba, urgentemente”. Sublinham nessa carta:
“Os nossos filhos, Senhor Ministro, não são carne para canhão e, como escreveu um dia um grande pedagogo brasileiro, amigo e admirador da nossa Escola, quem tolera tudo é porque não se importa com nada”.
No mês de julho de 2003, os professores e educadores da Escola da Ponte decidem que “não aceitarão desenvolver o Projeto nas condições impostas pelo Ministério”. E informam o Ministro de que “Se, até ao final do mês de julho, o Ministério da Educação não der sinais inequívocos de que respeita as conclusões e recomendações da avaliação externa que encomendou garantindo em condições aceitáveis a continuidade do Projeto”, não aceitarão quaisquer destacamentos, regressando aos seus lugares de origem.
No dia 5 de agosto de 2003, os professores e educadores em regime de destacamento, no ano letivo de 2002/2003, tomam conhecimento, com surpresa, da decisão do Secretário de Estado da Administração Educativa de prorrogar automaticamente os seus destacamentos para 2003/2004. Entendem que tal decisão é discricionária e contrária à lei. Informam que a 1 de setembro se apresentarão nas escolas e jardins de origem.
No dia 25 de agosto de 2003, a Direção da escola informa os órgãos de comunicação social de que “a escola está na iminência de fechar as suas portas por falta de condições para, de uma forma coerente, sustentada e eficaz, prosseguir e desenvolver a sua ação”.
A comunidade da Ponte não cedia perante atitudes autoritárias. E o ministério isso entendeu.
(continua)
