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Guimarães, 18 de junho de 2045

Nos idos de vinte e cinco, do meu amigo Paulo recebi um presente na forma de excelente reflexão, que mereceria ampla divulgação. Com a devida vénia, passo a partilhar alguns excertos:

“CONFUNDIR A CONSEQUÊNCIA COM A CAUSA”

"Defender a Escola Pública é reconhecer a necessidade absoluta da construção de uma relação de vínculo seguro entre o professor/outro profissional e os alunos."

(…) Interessa-me, aqui, só, debater a Escola Pública (e a sua aversão à mudança, que só a prejudica).

E defender a Escola Pública, não só porque é pública, valorizando-a, passará por patrocinar e incentivar uma discussão muito abrangente sobre as suas fragilidades e potencialidades: estamos no século XXI: o que queremos formar? Para o quê? Escutamos todos os intervenientes, de igual modo? A quem interessa e por que interessa?

Escola pública: bem maior (e não mal menor).

Defender a Escola Pública é valorizar todos os seus agentes, dos professores, passando pelos auxiliares e pelas crianças/jovens. Não é fechá-la numa caixinha e cristalizá-la.

(…) Defender a Escola Pública é apostar na diversidade: muitos caminhos para um determinado fim (e não pré-determinado). Criar bases para uma sociedade verdadeiramente inclusiva, crítica e informada, justa, generosa e solidária.

Pessoas não são números.

Defender a Escola Pública é dar a cada um(a) o que cada qual: abrir a escola à comunidade. Respeitar os tempos (da família, da rua, da escola). Acabar com a escola que segmenta e legitima discrepâncias: acabar com a escola do teste, da ficha, do tpc e do exame (bem como a ideia das áreas de 1ª, de 2ª e de 3ª), e acabar com essa máxima, absolutamente injusta e irreal, de que esses instrumentos correspondem às capacidades (ou falta delas) dos seus intervenientes.

A avaliação tem de ser formativa (a classificativa deixa um rasto de mentira, de injustiça e de destruição). 

(…) Defender a Escola Pública é atualizar a formação de professores, com diferentes métodos e perspetivas, e dar-lhes condições para o exercício da sua profissão, nas suas áreas de residência. Apostar numa formação integral. Professores e alunos são duas faces da mesma moeda, numa relação de aprendizagem mútua.

Defender a Escola Pública é reconhecer a Equidade como o caminho. Oportunidades Universais. Individualidade como peça de algo maior (e que se encaixa num cenário colaborativo e cooperante).

Ver o outro como é (e não pelo que achamos que é ou deve ser).

Defender a Escola Pública é reconhecer a dimensão total de quem lhe dá vida: as dimensões física, mental, psicológica, espiritual e holística (bem como as suas circunstâncias pessoais, familiares ou de comunidade). O direito a ser e a sentir.

Defender a Escola Pública é estimular a autonomia, a criatividade, o pensamento crítico, a curiosidade e a resolução de problemas que surgem. Erradicar rankings entre pessoas (…).

Defender a Escola Pública é proporcionar um ambiente saudável, sem pressões e coações, sem pressupostos, sem objetivos "pronto-a-vestir". A saúde mental (como toda e qualquer dimensão da saúde) é fulcral.

Defender a Escola Pública é reconhecer que toda a gente quer aprender. Toda a gente quer aprender (a repetição é deliberada). E precisa. É inato. Não existe o "os alunos não querem aprender". Isso é falacioso. Aprende-se por empatia (ao que é procurado) e com empatia.

É preciso é perceber o quê. E como. E para o quê.

Todo e qualquer caminho, desde que acrescente e melhore a vida das pessoas, é válido.”

Abdiquei da transcrição completa do artigo do amigo Paulo, mas a ele voltarei.

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Ubatuba, 17 de junho de 2045

Enquanto me afastava das terras e do mar caiçaras, recordava bons momentos, reencontros, aprendizagens, e lia aquilo que a minha amiga Roze escrevera sobre o evento que preparara com muito esmero: “O Pirão das Letras acabou.  Durante três dias alimentou corações famintos por acolhimento, reconhecimento e valorização. Todos provaram da porção que precisavam. Uns gostaram mais do tempero da alegria – outros, da esperança. Teve quem também se deliciou apenas com o calor do fogo, essencial para produzir o Pirão, principalmente em tempos gélidos como os de hoje. O Pirão das Letras acabou, mas teve gente que não foi embora sem levar um tantinho dele consigo. A fartura era tanta, que deu até para levar para casa (um livro, uma memória, uma emoção, um riso, um abraço quentinho de afeto). Os braços daqueles que por três dias mexeram o pirão estão exaustos, mas as almas estão leves, como leve são os passarinhos que carregam as sementes e, assim, cumprem o propósito divino de disseminar nova ...