Continuando a última resposta da cartinha de ontem… avaliando a avaliação que a Ponte fazia.
A avaliação pode ser efetuada de várias formas: uma conversa, um exercício escrito, a resolução de um problema etc. Tudo depende do objetivo em questão
Por outro lado, tenta-se sempre que os objetivos anteriores também sejam avaliados, de forma que a avaliação seja um processo contínuo.
Quando um determinado aluno pensa que esgotou todos os recursos ao seu dispor para estudar um determinado assunto (biblioteca, computador, colegas), e não o conseguiu compreender, recorre ao professor, escreve o seu nome, a data e assunto em estudo na folha do "Eu preciso de ajuda". Depois, o professor dirige-se ao aluno que manifestou a dificuldade e tenta esclarecê-lo, recorrendo àquilo a que os alunos costumam chamar de "aula direta".
Por outro lado, atitudes do quotidiano, em Assembleia, nos Debates e nas apresentações dos trabalhos constituem, também, excelentes oportunidades de avaliação.
Nova pergunta:
“A questão da avaliação sempre me deixou intrigada. Como aplicar um mesmo tipo de avaliação a cabeças pensantes diferentes, que aprendem, entendem de formas e em tempos diferentes? Como mudar a cultura arraigada nos gestores das escolas, nos professores, nos alunos, nas famílias?
Sou educadora matemática e estudo com minhas turmas de sétima série conteúdos da Geometria Euclidiana Plana. Para tanto, fazemos o tratamento axiomático de tais conteúdos e construímos os entes e/ou resolvemos problemas geométricos através de construções, seja com régua e compasso, seja com softwares de geometria dinâmica.
Em uma das turmas que leciono, possuo um aluno que é portador de necessidades especiais, devido ao atrofiamento de um dos membros superiores. Esse aluno consegue fazer as atividades que os demais colegas fazem, entretanto, em um tempo diferenciado. Para ele, a escola “deu permissão” para que fosse aplicada uma avaliação em tempo diferenciado. Mas, na mesma turma, tenho, por exemplo, uma aluna que não consegue acompanhar a turma, pois ACHO que tem um “jeito” ou “tempo” diferente de aprender.
Ela fica muito dispersa, mesmo que tente chamar atenção dela todo o tempo.
Penso que o momento de avaliação seria um importante momento de aprendizagem para ela. Gostaria de ter autonomia para assumir que o tempo dessa garota também é diferente e que a maneira de ela “brincar” com os conteúdos matemáticos também é diferente.
Acho até que tenho tal autonomia, mas como assumir tal verdade, se não tenho tempo, nem apoio da escola no referente a horas de trabalho remuneradas para tal fim?
Parece mesquinho da minha parte, mas tenho família para criar. E, por outro lado, crio precedentes em ter de dar as mesmas oportunidades para outras necessidades de modos do aprender. Seria extremamente frustrante não conseguir atender a todos!
Admiro muito a vossa iniciativa de enfrentar todo um sistema e com a comunidade da Escola da Ponte dar o exemplo. Apesar das ENORMES dificuldades, podemos traçar saídas diferenciadas para o processo de educação de professores, alunos e famílias.”
Resposta de um professor da Ponte:
Como mudar a cultura que está arraigada nos gestores, nos professores, nos alunos, nas famílias? Esta mudança tem de ser bem pensada e estruturada. Pensarmos que tudo se muda de um dia para o outro é uma forma de não mudar. Mas, lentamente e com estudo, tudo se consegue. É possível adequar o trabalho escolar ao tipo de avaliação que fazemos.
Nas próximas cartas, continuaremos a “explicação” do modo como a Ponte avaliava.
