Pular para o conteúdo principal

Oliveira do Douro, 25 de agosto de 2045

(continuação da cartinha anterior)

Para que aprendam a gerir as suas aprendizagens, orientamo-los no sentido do que é importante/interessante aprender/descobrir e, portanto, devem planejar tudo o que é suposto quererem saber.

O que acontece muitas as vezes é que interessam-se mais por umas disciplinas que outras, deixando de lado algumas tarefas. Isso poderá ter a ver com a dificuldade de determinada tarefa. Esta criança deverá, em determinado tempo, começar a compreender que deverá utilizar o dispositivo "Preciso de Ajuda".

“Na opinião de vocês, professores da Ponte, esse seria um dos motivos relativos à evasão escolar? O seu mau emprego da avaliação pode expulsar o aluno da escola, causar danos em seu autoconceito, impedir que ele tenha acesso a um conhecimento sistematizado e, portanto, restringir a partir daí suas oportunidades de participação social?”

É verdade que o abandono acontece em outras escolas. A Escola de Massas, enquanto projeto emancipatório da modernidade, não está sendo alcançado e tão pouco vejo possibilidade de ser uma realidade, num futuro próximo!

Será a instituição Escola capaz de esbater as desigualdades sociais e constituir-se num veículo de mobilidade social para aqueles que à partida pouco ou nada têm? Eu acredito que sim. Mas o estado da arte na educação é contraditório e preocupante. A mesma entidade que se assume como emancipadora em vez de eliminar as diferenças sociais existentes no seu seio amplia-as adotando técnicas de ensino e de avaliação normativistas (cf. Pierre Bourdieu - Teoria da Reprodução). É precisamente esta função seletiva da escola que devemos tentar minimizar. Ao optarmos pela resistência e pela crítica (cf., por exemplo, Henry Giroux Teoria Crítica e Resistência em Educação) às práticas reprodutoras estaremos a contribuir para a formação de cidadãos autónomos, responsáveis, críticos, solidários. Se optarmos pela normatividade, corremos o risco de conduzir os alunos a rótulos e a estigmas que, certamente, determinam o seu percurso educativo.

“Gostaria de saber como é feita a avaliação durante a alfabetização. Existe alguma referência a Emília Ferreiro ou ao construtivismo, que seja base para o trabalho? Pergunto, porque entendi que sim, já que a escola se dá em nível construtivista. Ou estou enganada? Como é esse processo de aprender a ler e a escrever na Ponte? Ficaria feliz se pudessem ser minuciosos na resposta. Sei que não terei receita como dito anteriormente, mas quero e preciso entender como a alfabetização e a avaliação nessa fase acontece por aí. Como fazer para sistematizar o ensino? Ou não é assim que ocorre? Como avaliar cada aluno em salas tão heterogêneas?”

Antes de falarmos em Emília Ferreiro e Construtivismo, falamos de um dos recursos pedagógicos utilizados na escola como auxílio na alfabetização, que é a escrita livre. Neste recurso a criança expõe livremente a sua tentativa de escrita. O professor "avalia" o desenvolvimento do aluno, baseando-se nas fases de Emília Ferreiro (pré-silábico, silábico e alfabético) Mas não só… É preciso lembrar que a Ponte começou o seu projeto antes de a Emília começar as suas pesquisas). Lembrando que há fase intermediária de um nível ao outro.

Esta escrita livre apoia o professor – a alfabetização é trabalhada individualmente, cada criança tem o seu próprio nível de conhecimento com relação à linguagem. Quando se fala de um ensino individualizado, queremos dizer que o processo do aluno é único, como está escrito no Projeto Fazer a Ponte.

(continua)

Postagens mais visitadas deste blog

Jardim Atlântico Leste 19 de julho de 2045

Na Maricá, perto do lugar onde Darcy viveu os seus últimos dias, o dia 19 de julho de há vinte anos marcou o reinício do projeto “Praticar Darcy”, integrando o que, erradamente, o “Sistema que sustentava a crise” separava: a Família, a Sociedade e a Escola. Não iludíamos os obstáculos, mostrávamos possibilidades – tratava-se tão só de um apelo a decência, de uma contribuição para a regeneração do “sistema que sustentava a crise”, uma simples prática de humanização do ato de aprender e de ensinar. O convite à participação nesse ato cívico rezava assim: “Convidamos os educadores de Maricá para “Praticar Darcy”, fazendo “uma Ponte” em Maricá. No dia 19 de julho, entre as 14 e as 17 horas, na Barra de Maricá, será realizada uma “residência pedagógica” com crianças, jovens e adultos participantes da Colónia de Férias da Associação Art7. Trata-se de uma efetiva INOVAÇÃO, que partilhamos com os educadores de Maricá.” A “crise” que Darcy disse ser um “projeto” prolongava-se, indefinidamente. O...