Pular para o conteúdo principal

Porto, 22 de agosto de 2045

Deixo aqui o registro de alguns dispositivos de avaliação utilizados na Ponte. Alguns destes instrumentos foram sendo dispensados ou reformulados, ao longo dos anos e - creio bem! - sê-lo-ão, nos próximos dez ou vinte anos.

No Relatório, cada grupo descreve processos de descoberta.

O Álbum é o produto de recolhas críticas de material para arquivo e consulta.

As Bibliografias são instrumentos de apoio a consultas, elaborado no início do desenvolvimento de cada plano quinzenal.

A Ficha de autoavaliação é feita com ou sem a presença do professor e pode ser autocorretiva.

O Teste de itens selecionados pelos alunos é elaborado ao longo de qualquer projeto e negociado com os professores.

O Teste sociométrico e o Inventário de atitudes são utilizados apenas quando são percetíveis alguns sinais de conflito entre alunos, no interior dos grupos ou entre grupos.

A Ata é redigida pelos alunos após um debate na Assembleia, ou um trabalho de grupo. Permite comparar opiniões e níveis de desenvolvimento, são memória e fonte de informação.

A Comunicação tem a finalidade, como o próprio nome indica, de comunicar descobertas. Poderá ser acompanhada por um suporte de gravuras, exposições, roteiros de visitas, cartazes de registro de observações, "textos de que gostamos".

O Quadro de solicitações inclui dificuldades encontradas, a definição e a razão de pedidos. Exemplo: "Eu quero falar com o professor, porque fiquei com dúvidas quando estudei os primeiros povos da península. Já consultei a biblioteca. Sou o Pedro".

No Registro de disponibilidade, alunos e professores registram a sua disponibilidade para ajuda de colegas. Por vezes, o aluno que se disponibiliza prepara, por iniciativa própria, trabalho ajustado ao colega que quer ajudar.

No Debate final de cada dia, alunos e professores registram as suas impressões sobre o trabalho realizado: comparam-se as atividades do plano do dia com as atividades realizadas; diz-se o que se aprendeu e o que ficou por aprender; explica-se por que se fez e não se fez; comenta-se o trabalho feito individualmente, em grupo, com os professores, ou no coletivo; critica-se, propõe-se. Os alunos podem mesmo emitir juízos sobre a própria avaliação e esse ato poderá ser também mais uma oportunidade de avaliação de atitudes: "Do que eu não gosto é que, às vezes, eu não faço tudo e porto-me mal e dizer isso na avaliação é um bocado chato (Miguel);

Na avaliação contamos o que fazemos e a avaliação faz-nos pensar (Zé);

A avaliação que eu fiz neste ano foi melhor porque foi para aprender e para sabermos quem nos ajudou (Liliana);

Se eu não escrevesse a verdade, estava a ser injusta para os meus colegas (Cátia);

É importante porque nós vemos o que fizemos do plano do dia e é uma boa ideia para ver do que somos capazes (Anaísa);

Faz-nos ter pensamento e sermos pessoas (Almira);

Acho bem que se tenha feito a Assembleia para se resolver os problemas que se passam todos os dias na escola, para não serem só os professores a resolver Foi importante ser boa aluna muito tempo, aprender os gráficos e descobrir como sou. Aprendi coisas da vida, que eu não sabia que existiam. Aprendi a corrigir os meus erros e a minha memória. Relembrei como se trabalha em liberdade e como se faz a avaliação do trabalho, como se tira as coisas da cabeça e se aprende a não copiar. Aprendi a fazer as coisas com imaginação e a encher uma folha com coisas importantes (Ângela);

Fizemos regras para cumprir. Eu tenho tentado cumprir, mas, às vezes, esqueço-me (…)”

Aamanhã, completarei a lista de que partíamos para avaliar atitudes.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Caçapava do Sul, 19 de fevereiro de 2045

No interior gaúcho se implantou um dos projetos mais consistentes de quantos ajudei a criar: a Escola da Floresta. Fui ver como o amigo Bruno e a sua equipe testavam teoria construída ao longo de mais de meio século. E a formação experiencial observada na Escola da Floresta me mostrava que se deveria partir de práticas “disruptivas”, como as da Ponte, do Âncora, ou da Escola Aberta, para as instalar, as analisar criticamente e, prudentemente, inovar. Nesse projeto confirmei aquilo que começara a compreender no início deste século. Isto é: se o centro dos processos de aprendizagem não deveria ser o professor, também não seria o aluno – não havia centro, mas relação humana. As práticas instrucionistas eram obsoletas, mas as práticas neoliberais da Escola Nova não poderiam prescindir de contribuições do paradigma da instrução. Deveria haver um modo de integrar essas práticas com aquelas fundadas no paradigma da comunicação. E eis que surgiam... “divergências”. “Tem de cumprir a lei da sec...