No dia 8 de fevereiro de 2025, nos reunimos no Museu Casa Darcy Ribeiro. Nesse encontro de educadores assumimos contribuir para concretizar objetivos constantes do Termo de Referência recebido da secretaria de educação:
“A
superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e
na erradicação de todas as formas de discriminação;
A
melhoria da qualidade da educação, com ênfase em valores morais e éticos, e na
promoção humanística, científica, cultural e tecnológica;
A
prática de princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e
sustentabilidade socioambiental;
A
valorização dos profissionais da educação, através da criação de contextos de
“Escola Cultural” – uma nova construção social de aprendizagem.”
Há
quarenta anos, quando era voluntário no Projeto Âncora, escrevi uma “Carta para Darcy
Ribeiro”: “No tempo dos CIEP”. Recordo-me de a
ter escrito no bar do Beijôdromo (uma inovação arquitetónica do arquiteto
João Lima – para Darcy, o Lelé), à conversa com o Chiquinho, livreiro da
Universidade de Brasília com quem Darcy muito conversou. Fofoca vai, fofoca
vem, atrevi-me a dirigir-me ao Mestre nestes termos:
“Mumbuca, 26 de
outubro de 2014
Querido Darcy, escutei o teu apelo, já quando o
câncer consumia o teu último sopro de vida. Vi-te sofrer o exílio, enquanto o
teu país dormia distraído, sem perceber
que era subtraído em tenebrosas transações.
O teu espírito ainda deambula pelo Beijôdromo, Anísio
ainda mora na Livraria do Chiquinho e Agostinho ainda escreve poemas sob a
sombra da mangueira.
Com os Centros Integrados de Educação Pública
(CIEPs) visavas oferecer ensino público de qualidade em período integral. Considerava-los
"uma revolução na educação pública do País". No segundo governo de Brizola, alguns CIEPs
até foram equipados com piscinas, e
forneciam refeições completas, além de atendimento médico e odontológico. Era
preciso “tirar crianças carentes das ruas, oferecendo-lhes "pais
sociais".
É lamentável que o “projeto” de que falavas
continue letra morta e que milhões de jovens sejam excluídos de uma vida digna.
O
desgoverno, que se lhes seguiu, desvirtuou o projeto. Os CIEPs viraram
escolas comuns, com o ensino em turnos e contra-turnos. Alguns, parcialmente
concluídos, foram abandonados. Em muitos lugares do Brasil,
encontrei CIEPs adaptados a “novos tempos”.
Medidas de retrocesso perenizam o velho paradigma escolar, reprodutor de
oprimidos e opressores, que o malogrado secretário de educação Paulo Freire
tanto denunciou. Eu sei que custa
a crer, caro Darcy, mas é verdade. Se não me engano, foste tu quem fez esta
afirmação:
“O Brasil,
último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua
herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso.”
Não desesperes. Fica sabendo que já muitos
educadores e escolas são sensíveis aos teus apelos. Depois de tenebrosos
tempos, luminosos tempos hão-de vir.
Em
Maricá, o nascer do sol vermelho-alaranjado se abre sobre lagoas que beijam o
mar, as biguás voam sobre a calma dos dias que se enfeitam para gerar uma
energia social mobilizadora de comunidades. É um lugar abençoado entre a serra
e o mar, berço de povos originários.
Em
1832 Charles Darwin aqui aportou com sua equipe, visitou sítios arqueológicos e
estudou o complexo ecossistema de restinga. Por aqui também passaram os
jesuítas – em 1584, o padre Anchieta realizou “uma pesca milagrosa”. Aqui,
pretendemos traçar novos rumos para a Educação de Maricá, do Brasil e do Mundo.
.png)