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Poços de Caldas, 27 de novembro de 2025

Prometi-vos uma listagem de iniciativas ministeriais conduzidas por universitários teoricistas, mas, para começar, precisarei dizer-vos por que razão todas as iniciativas não lograram melhorar os sistemas de ensino.

Os documentos-bases desses projetos eram, teoricamente, irrepreensíveis – eu os subscreveria – mas, na prática, eram incoerentes. Na década de sessenta e início dos anos setenta, fui escutar os universitários que elaboraram os textos de tímidas reformas, me inscrevi em formações, acreditei no discurso, embora já desconfiasse da justeza de algumas propostas, por saber que estavam longe da realidade vivida nas salas de aula do tempo da ditadura. O personalismo de Mounier e o ensino individualizado do Dottrens estavam presentes nos textos de abortadas reformas do tempo da ditadura, mas totalmente ausentes das práticas dos seus autores.

Após a abertura democrática, desalentado por ver perder tantas oportunidades de mudança, já apenas dirigia um veemente apelo aos universitários teoricistas – pedia-lhes que usassem de algum pudor. Hoje, volto a pedir-lhes humildade, honestidade intelectual porque, quando divulgam práticas (ditas) “inovadoras” não se apercebem de que estão a incorrer em mistificações – é porque é falsa a afirmação de que seja possível contemplar a diversidade ou assegurar “inclusão” em escolas organizadas em turmas, anos de escolaridade, ou dizer-se que em sala de aula é possível praticar educação integral.

Se eu estiver errado, peço aos eventuais leitores que me deem o endereço de uma prática “inovadora” – aquelas que vi serem apresentadas em formações e seminários não o são.

Desperdicei algum tempo a escutar uma nova geração de formadores em ações de formação de cuspe e power point, lições magistrais em que discorriam sobre inclusão, diversidade, direitos humanos, equidade, educação integral e outros “modismos”. Recorriam à sofisticação de um discurso, que eu escutara, há 20, 40, 50 anos, informação reciclada, extraída de dissertações e teses, mera teorização de teorias. Distribuíam informação que os professores-formandos poderiam obter em livros, sem necessidade de pagar para os escutar.

Quando, em 1992, foi criado o subsistema de formação contínua, uma multidão de teoricistas nele se atirou “como gato a bofe” e transformou um processo formativo generosamente financiado numa grande mentira construída sobre muitos milhões de euros.

Será necessário que os ministérios escutem a voz do bom-senso e deixem de acreditar em mercadores de modismos, universitários teoricistas e pseudo-vanguardas pedagógicas. E lamento que quem se diz adepto de uma educação democrática e inclusiva exclua o pensamento divergente. Lamento que quem se reclama de defensor do “direito à fala” recuse o debate com quem desenvolve projetos de mudança com potencial inovador. Urge conceber um projeto de educação, que dialogue com um projeto de país e torne os estudantes capazes de construir projetos de vida, de vida cidadã.

Na segunda metade do século XX, bem acompanhado por Anísio, Cecília, Eurípedes, Nilde, Darcy e outros educadores do Sul, o português imigrado Agostinho da Silva traduziu obras de “utópicos”, para lançar sementes de renovação na educação. Nos anos vinte, há escolas “utópicas” nos brasis da educação, lugares de ousadas transformações. No canto das almas sensíveis, que as habitam, não cabe o medo – existe prudência.

PS: Relembro tarefas a cumprir:

Desenvolvimento do currículo da subjetividade, de comunidade e universal.

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