Hoje, acompanhei a Fabi e a Rosimary na última das viagens do mês de novembro. Fomos conversar com educadores do SENAC de Salto, numa tarde plena de aprendizagens – juntamos mais uma instituição ao rol daquelas que nos inspiram, onde o diálogo profícuo acontece e uma “turma piloto” pode surgir.
Durante o mês de
novembro, fui registrando reflexões sob a forma de cartas. Vejo, agora, que
redigi um enunciado de perplexidades. As missivas falaram de escolas que
anunciam novos modos de aprender. Mas, quase todas se mantêm ancoradas no
modelo de ensinar, por força de circunstâncias desfavoráveis.
A herança
totalitária do Vargas, que liquidou os intentos da Nise, já vai longe, mas o autoritarismo
da administração educacional manifesta-se em sutis modos de controle. O tempo
de ditadura, que exilou Freire e Darcy, já vai longe, mas uma hierarquia mal
disfarçada continua a fazer estragos e a impedir que Freire e Darcy,
efetivamente, regressem do exílio. Bonsais políticos e burocratas se aliam a
pedagogos fariseus em tentativas de melhorar o que não pode ser melhorado.
As cartinhas foram portadoras de
boas e más notícias, mensageiras de mais um propósito: o de dar a conhecer extraordinários
educadores talvez ignorados pelos educadores “normais” (era o nome que lhes
dava o Bernard). A divulgação de suas
vidas e obras foi produto de impulso, de reação a medidas políticas, que
significam retrocesso, como a da “sobralização” ministerial.
Como diria o meu amigo Batata, quando a retórica é contraditória com as tendências práticas, existe
espaço para desenvolver práticas que não são as oficialmente induzidas, mas que
podem ser justificadas e legitimadas pela retórica. Há um espaço de legitimação
para desenvolver outro tipo de práticas, mesmo que estas, muito provavelmente,
não beneficiem de muito nem pouco financiamento, porque o dinheiro disponível
via inteirinho para empresas produtoras de paliativos. Existe espaço para
centrar a formação no chão da escola, o que significa ligar a formação à vida e
não aceitar, passivamente, que a formação apareça quando se está "sentado
na escola", ou, mais especificamente, "sentado ou de pé, numa sala de
aula".
E, porque estamos quase no final do mês me compete recordar-vos a
necessidade de cumprir o restante das tarefas do nosso processo formativo:
Elaborar a Proposta de Inventário de aprendizagens essenciais;
Estabelecer relações positivas e de entreajuda, assumir responsabilidade
pessoal e social;
Assegurar a gestão autônoma de tempos e espaços;
Reavaliar processos de autoavaliação;
Criar círculos de aprendizagem “be learning”;
Criar protótipos de comunidades de aprendizagem;
Criar redes de comunidades de aprendizagem;
Assegurar a integração família-sociedade-escola;
Idem, escola-saúde pública e ambiente-arte e cultura;
Elaborar protocolos de colaboração escola-universidades-poder público;
Assegurar a autonomia científica e técnico-pedagógica dos projetos;
Assegurar a autonomia administrativa e financeira dos projetos;
Completar a erradicação da sala de aula, tempo-padrão e segmentações
(série, ano de escolaridade, ano letivo…);
Integrar a escola numa comunidade de aprendizagem;
Criar núcleos documentais básicos de ciências da educação;
Utilizar suportes
virtuais / plataformas digitais;
Promover a participação de voluntários;
Criar círculos de aprendizagem (de “vizinhança” e de “proximidade”);
Pugnar pela equidade e pela isonomia salarial;
Assegurar
excelência acadêmica com inclusão escolar e social.
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