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Salto, 28 de novembro de 2025

Hoje, acompanhei a Fabi e a Rosimary na última das viagens do mês de novembro. Fomos conversar com educadores do SENAC de Salto, numa tarde plena de aprendizagens – juntamos mais uma instituição ao rol daquelas que nos inspiram, onde o diálogo profícuo acontece e uma “turma piloto” pode surgir.

Durante o mês de novembro, fui registrando reflexões sob a forma de cartas. Vejo, agora, que redigi um enunciado de perplexidades. As missivas falaram de escolas que anunciam novos modos de aprender. Mas, quase todas se mantêm ancoradas no modelo de ensinar, por força de circunstâncias desfavoráveis.

A herança totalitária do Vargas, que liquidou os intentos da Nise, já vai longe, mas o autoritarismo da administração educacional manifesta-se em sutis modos de controle. O tempo de ditadura, que exilou Freire e Darcy, já vai longe, mas uma hierarquia mal disfarçada continua a fazer estragos e a impedir que Freire e Darcy, efetivamente, regressem do exílio. Bonsais políticos e burocratas se aliam a pedagogos fariseus em tentativas de melhorar o que não pode ser melhorado.     

As cartinhas foram portadoras de boas e más notícias, mensageiras de mais um propósito: o de dar a conhecer extraordinários educadores talvez ignorados pelos educadores “normais” (era o nome que lhes dava o Bernard).  A divulgação de suas vidas e obras foi produto de impulso, de reação a medidas políticas, que significam retrocesso, como a da “sobralização” ministerial.

Como diria o meu amigo Batata, quando a retórica é contraditória com as tendências práticas, existe espaço para desenvolver práticas que não são as oficialmente induzidas, mas que podem ser justificadas e legitimadas pela retórica. Há um espaço de legitimação para desenvolver outro tipo de práticas, mesmo que estas, muito provavelmente, não beneficiem de muito nem pouco financiamento, porque o dinheiro disponível via inteirinho para empresas produtoras de paliativos. Existe espaço para centrar a formação no chão da escola, o que significa ligar a formação à vida e não aceitar, passivamente, que a formação apareça quando se está "sentado na escola", ou, mais especificamente, "sentado ou de pé, numa sala de aula".

E, porque estamos quase no final do mês me compete recordar-vos a necessidade de cumprir o restante das tarefas do nosso processo formativo:

Elaborar a Proposta de Inventário de aprendizagens essenciais;

Estabelecer relações positivas e de entreajuda, assumir responsabilidade pessoal e social;

Assegurar a gestão autônoma de tempos e espaços;

Reavaliar processos de autoavaliação;

Criar círculos de aprendizagem “be learning”;

Criar protótipos de comunidades de aprendizagem;

Criar redes de comunidades de aprendizagem;

Assegurar a integração família-sociedade-escola;

Idem, escola-saúde pública e ambiente-arte e cultura;

Elaborar protocolos de colaboração escola-universidades-poder público;

Assegurar a autonomia científica e técnico-pedagógica dos projetos;

Assegurar a autonomia administrativa e financeira dos projetos;

Completar a erradicação da sala de aula, tempo-padrão e segmentações (série, ano de escolaridade, ano letivo…);

Integrar a escola numa comunidade de aprendizagem;

Criar núcleos documentais básicos de ciências da educação;

Utilizar suportes virtuais / plataformas digitais;

Promover a participação de voluntários;

Criar círculos de aprendizagem (de “vizinhança” e de “proximidade”);

Pugnar pela equidade e pela isonomia salarial;

Assegurar excelência acadêmica com inclusão escolar e social.

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Voltava do Rio com uma estranha sensação de “dejá vú” e, num cantinho da Internet, me aguardava um textinho do amigo Matias com o título “ O supermercado, a escola e a guerra civil”. “Para evitar o desespero e criar novos entusiasmos, para libertar as iniciativas e suscitar a criatividade, acreditamos que é hoje mais razoável decidir mudar de viatura do que esgotarmo-nos a consertar um motor definitivamente desconsertado.  A escola transformou-se num supermercado onde os adultos distribuem conhecimentos que apenas servem para ter sucesso na escola.” Esta é a tese de Philippe Meirieu e de George Marc, desenvolvida na obra “L’école ou la guerre civile”. Segundo os autores, as escolas são hoje máquinas, que tanto integram como excluem, e os professores que escolhem a profissão não têm condições para responder positivamente à imensidão de pedidos e mandatos sociais, trabalhando no mesmo modelo (no mesmo molde) escolar. Para evitar o stress e a depressão profissionais, a fuga da escola ...