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Aldeia Mata Verde Bonita, 21 de dezembro de 2025


O prometido é devido – as próximas cartas farão a avaliação da “avaliação” que por aí se vai fazendo.

Numa Mostra de Projetos, um secretário de educação aludiu a um entretenimento de teoricistas ociosos e políticos boçais: o da “aprovação automática”. Concluiu o discurso dizendo que deveria haver “uma terceira possibilidade de avaliar entre a aprovação automática e a reprovação automática”.

Na posição de observador atento, iria aferi-la, tendo por referência um artigo do Mestre Pedro:

“Abordo a proposta do processo formativo sem cronometragens artificiais em anos, séries, ciclos. A mania de cronometrar processos não físicos, como aprendizagem, é resquício positivista instrucionista, que recua à gestão “científica” de Taylor, quando cronometrou, tintim por tintim, processos produtivos e modos de os agilizar.”

Assisti a inúmeras campanhas eleitorais imersas na costumeira mesmice das promessas já prometidas e disparates proferidos por candidatos. Não me intrometeria nas contendas, não fora escutar alguns falando dos malefícios do que denominam de “aprovação automática”, mas que, na realidade, é uma distorção do que poderia ser a prática da “progressão continuada”.

Presumo que todos os candidatos afinem pelo mesmo diapasão, dado que o disparate se democratizou. E, porque os candidatos a eleitos não falam com conhecimento de causa, imagino o tipo de assessores que redigem os seus discursos. Os identifico com os teoricistas da Educação, porque muitas destas criaturas fazem coro com os disparates dos políticos.

O que acontece em muitas escolas brasileiras não é progressão continuada, tal como a lei a estabelece, mas perversão automática. O que acontece é uma confusão contínua e não uma avaliação continuada. Confunde-se avaliação com classificação. Confunde-se avaliação com aplicação de provas. Confunde-se avaliação formativa (contínua, sistemática, centrada em processos, participada) com o facilitismo de uma “progressão automática”, que perverte qualquer esforço no sentido de colocar algum rigor na avaliação. E é sobre os efeitos dessa perversão que os políticos – e, infelizmente, muitos professores – apoiam a sua “argumentação”.

Iniciam o seu exórdio repetindo a ladainha de carpideira habitualmente usada pelos profetas da desgraça, em que o sistema de ensino é pródigo. Exibindo as impressionantes cifras do insucesso, criam o ambiente propício à demonização da “aprovação automática”, apresentando propostas de extinção da… “progressão continuada”.

É grave, se não fosse trágico o obsceno silêncio dos “doutores em educação”. É certo que as cifras do insucesso são assustadoras. Segundo sucessivos censos educacionais, muitos milhões de crianças matriculadas não conseguem aprender aquilo que é considerado básico, estatisticamente, muitos milhões são lesadas no seu direito a aprender.

Acrescentam os “doutores” que, “segundo autoridades do SAEB, do INEP e do MEC, a elevada incidência de reprovação e evasão decorre da dificuldade em aprender com aquilo que eles denominam de “atuais procedimentos de ensino”.

Já dizia o Nunziatti que a Escola mudaria através da avaliação, ou nunca mudaria. Comecei por aplicar uma “lista de verificação” daquilo que de inovador diziam existir – deparei com essa referência aos “atuais procedimentos de ensino” – dirigi uma pertinente pergunta aos senhores doutores:

Alguém me poderá dar o endereço de uma escola onde eu possa encontrar esses famigerados “atuais procedimentos de ensino”?

Ninguém deu.

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