Nos idos de 25, quase não existia avaliação nas escolas. Nelas, os professores (e ministérios) confundiam avaliação com classificação ostracizando a avaliação que a lei prescrevia. Também no domínio da avaliação, se agia à margem da lei.
Um ministro de má memória introduziu
mais exames no sistema na expectativa da sua melhoria – os “especialistas”
sabiam que os exames quase nada avaliavam, mas se calavam.
Os testes eram os instrumentos de
avaliação falíveis. Conceber itens de testes, garantir fidelidade e tudo mais eram
um exercício extremamente rigoroso, assim como assegurar que as condições seriam
as mesmas para todos, quando se aplicasse testes. E a correção de um teste
também padecia de enorme subjetividade.
Além disso, esses instrumentos de
avaliação apenas “provavam” a capacidade de acumulação cognitiva, de
armazenamento de informação em memória de curto prazo, para debitar num exame e…
esquecer.
Em muitas escolas aplicava-se teste e se
“dava nota” a partir dos resultados dos testes, transpondo dados de prova para
uma escala ordinal (aqui caberia uma explicação “técnica”, que, obviamente,
irei evitar). E, nas reuniões das “semanas de avaliação” – tempo perdido e
pedagógico absurdo – se alegava considerar uma percentagem da nota dada a
partir da avaliação de atitudes. Porém, não eram apresentados instrumentos de
avaliação, que permitissem medir atitudes como a autonomia, ou a criatividade –
a avaliação era feita a ‘olhómetro’.
Um ex-ministro afirmara que as provas
globais começavam a ser inúteis, mas – vá-se lá saber porquê! – outro ministro
ressuscitou um tenebroso debate alimentado da ingenuidade de uns quantos e da
militância reacionária de tantos outros.
Qualquer pessoa minimamente avisada,
minimamente conhecedora dos ainda ocultos saberes das ciências da educação – o bode
expiatório de todos os males que apoquentavam a educação – sabia que a solução
não passaria por haver mais exames. Aliás, a Finlândia os extinguira, quase por
completo!
Se quiséssemos falar de avaliação em
linguagem de gente, poderíamos dizer que a quase exclusiva utilização de um
mesmo tipo de instrumento de avaliação fora responsável por graves erros – atenda-se
ao exemplo do candidato a medicina que, por uma centésima, não acedeu ao curso
desejado.
Os fervorosos defensores dos inúteis
exames saberiam em que consiste assegurar a validade ou a fidelidade de um
item? Saberiam aquilatar da subjetividade da correção de uma prova de exame?
Teriam conhecimento das grosseiras fraudes que os exames engendravam? Teriam
passado, alguma vez, pela angústia da espera de um resultado, teriam sido
afetados por uma ansiedade geradora de bloqueios?
Os debutantes das coisas da Educação não
leram nos jornais notícias de frequentes e abissais alterações de pontuação que
decorreram da reapreciação de recursos – literaturas especializadas não teriam
lido, a avaliar pelos disparates que iam debitando na comunicação social.
Freudenthal dizia-nos que o exame se
tornara um objetivo; o que vinha para exame; um programa; o ensino da matéria
para exame, um método.
E o Iturra:
“Na vertigem das reformas educativas dos últimos cem anos, a memória transmitida é a abstração escrita de um saber variável, que se identifica com a sua própria memória oral como fonte de conhecimento. A cultura letrada que organiza o ensino não tem sido capaz de romper com o modelo imperante de eficácia económica e incorporar a prática social como mediadora entre o saber da experiência controlada e o saber que provém da experiência provada”.
