Assim falava um visitante da Ponte:
“Qual
o segredo das escolas que fazem diferença, das escolas que conseguem avançar
substancialmente na aprendizagem efetiva, no desenvolvimento humano pleno e na
alegria crítica de seus alunos?
É
certo que tudo está relacionado, que devemos considerar os vários aspetos da
realidade escolar etc. Porém, não haveria
alguns elementos essenciais, substanciais, nucleares, sobre os quais deveríamos
colocar nossa atenção de forma muito especial?
O
que é mais importante? Já que os recursos materiais e psíquicos são limitados,
onde investir prioritariamente?
Muito
sinteticamente, diríamos: pessoas e estruturas, estruturas e pessoas (repetimos
os termos em ordem inversa para evitar escapismos dualistas). O “segredo” da
Ponte está nas pessoas com uma nova sensibilidade, com um novo olhar sobre os
alunos, capazes de construir novas estruturas escolares.
Simultaneamente,
está nas estruturas, na capacidade de reinventar a organização dos espaços,
tempos, saberes, recursos, criando novos dispositivos pedagógicos.
Estas
estruturas, por seu turno, estão voltadas para as pessoas. É claro que são as
pessoas que produzem as estruturas, mas, por outro lado, as pessoas também são
produzidas (não mecanicamente) pelas estruturas. É um processo dialético, de
aproximações sucessivas, em que não há gênese absoluta, um ponto a partir do
qual todo e qualquer mudança deveria se iniciar.
Avaliação
como prática de Aprendizagem, Avaliação e Projeto Educativo, um portão aberto:
uma escola cidadã! – Artes: o despertar da sensibilidade, Educação Física:
desenvolvimento de novas linguagens.
Progressão...
continuada? Uma transição (de núcleo) a qualquer momento, Instrumentos de
avaliação – a avaliação determina as práticas educativas,
Como
é ser uma ilha diante do mundo, que é tão diferente? - o portfólio de
avaliação: uma ponte entre diferentes universos, Perfil de aluno e critérios de
avaliação.
Na
Ponte, a avaliação não se destaca, não chama a atenção, muito embora esteja
absolutamente presente. Nos principais dispositivos pedagógicos ali
desenvolvidos ou aplicados, a avaliação está presente.
Por
exemplo: a Assembleia da escola (toda sexta-feira, à tarde) tem sua origem na
avaliação que os alunos fazem do seu cotidiano, expressa, por sua vez, nos
dispositivos do Acho bem e do Acho mal (cartazes que ficam nos murais e os
alunos vão registrando). Na Reunião de professores (quartas-feiras, à tarde),
os professores avaliam com afinco o Projeto e buscam formas de melhorias. No
Debate todos os dias os alunos, entre outras coisas, avaliam o dia de trabalho.
Os portfólios também fazem parte da paisagem cotidiana dos ambientes de estudo;
eles utilizam destas pastas A-Z, com sacos plásticos, onde ficam os planos
quinzenais e as principais atividades que cada aluno desenvolve. A observação é
uma prática constante de avaliação por parte dos professores, sobretudo em
termos de valores e atitudes (sem estabelecer rutura com a avaliação de
conhecimentos).
Como
não existe observação neutra, ela é pautada na matriz axiológica da Ponte:
solidariedade, responsabilidade e autonomia.
A
autoavaliação é um dos pontos fortes da avaliação na Escola da Ponte, estando
também presente em vários dispositivos: “Eu preciso de ajuda; Eu já sei e Posso
Ajudar”. E merece destaque o Plano da Quinzena, que começa com uma exigente
autoavaliação: O que aprendi nesta quinzena?”
O
autor dessas linhas esqueceu-se de acrescentar que, na Ponte, não existe… sala
de aula.
