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Cabo Frio, 5 de janeiro de 2026

Ser esperançoso é escrever para os netos e para os filhos dos filhos dos nossos filhos, na apaziguadora certeza de que eles serão os nossos olhos, as nossas mãos, as nossas vontades, quando os seus filhos forem, finalmente, as crianças felizes e sábias, que eu desejaria todas as crianças de hoje fossem.

O que nos resta como deliberação é o primeiro passo de cada dia. É acolher cada afago do destino como primeiro e derradeiro, e encarar a fealdade dos dias como possibilidade do belo – nada mais!

Se assim não fosse, como conseguiríamos suportar desmandos engendrados pelo sistema educacional que nos é imposto?

Diariamente, fico alguns instantes em silêncio, em memória das suas vítimas. E a paciência já não é virtude bastante – é preciso não esperar.

Não me move apenas o baixo rendimento académico dos alunos, bem expresso e documentado em recentes estudos. Quem conseguirá explicar porque, séculos volvidos sobre Copérnico e da Vinci, metade da população dos Estados Unidos ainda creia que é o Sol que gira em volta da Terra? Como poderemos suportar a ideia de que uma professora “terraplanista” acredite que Deus habita a Lua e advirta os seus alunos de que os homens nunca poderiam lá ter estado, e que os astronautas eram bonecos animados?

Quase nos faz morrer de desgosto o estudo revelador de que metade das crianças japonesas nunca viram um amanhecer ou um pôr-do-sol.

No Facebook, o meu amigo André isto escreveu:

“Um grande amigo meu me disse, antes de eu aceitar trabalhar como servidor público: “André, não faça isso! O trabalho nas escolas públicas no município do Rio de Janeiro é uma máquina de moer gente!”

Guardei esse alerta e assumi a decisão de ingressar no serviço público, no campo da educação.

Ele tem razão. É realmente uma máquina de moer gente. É enorme o número de pessoas que eu conheci nesses quase cinco anos que tomam regularmente remédio para pressão ou para dormir, que fazem acompanhamento terapêutico, que usam remédios para controlar a ansiedade!

Conheci um professor que teve um AVC semanas antes de se aposentar.

Conheci professores exaustos, moribundos, desesperançosos, melancólicos, assustados, desconfiados, com seu emocional em frangalhos. Em salas de professores, já vi e ouvi cada coisa!

Já fui ridicularizado pelo que penso sobre educação, já fui humilhado perante os colegas em reuniões pedagógicas, já fui menosprezado por ser jovem e novo como servidor.

Não é incomum ouvir da boca de um professor que, para estar ali, é preciso ser louco. E, quando você não se comporta como o grupo, você vira alvo de desconfiança.

Falta muito amor nas escolas. Falta acolhimento. Se as relações humanas no ambiente escolar fossem pautadas no respeito, no afeto, na tolerância, na diversidade, na coerência, creio que as escolas seriam muito diferentes.

Que venha 2026! Pela educação pública de qualidade, pelo amor entre as pessoas, pela sinceridade nas relações, pelo afeto e respeito, pelo aprendizado dos alunos, pelo futuro do nosso país, por uma escola do século XXI, eu sirvo.

Que não me faltem forças e que eu nunca me acomode, nunca endureça meu coração. Costumo dizer que, a cada pancada, eu sinto dor e preciso sentir.”

O André finalizava a sua missiva dizendo preferir sentir tristeza passageira a se tornar insensível. Essa declaração de Amor à Educação e o que eu já conhecia desse extraordinário educador me levou a convidá-lo para a gesta de Nova Educação, encetada em... 2026.

Para quem não saiba do que se trata, recomendo a consulta destas endereços de WhatsApp: @jpacheco.1951 e @josepacheco.1951

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