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Ouro Preto, 20 de outubro de 2043

Mais uma vez por terras de Minas, ao encontro de educadores com quem vale a pena dialogar. Naquele outubro, conheceria uma secretária de educação que se preocupava, não só com o que os seus professores detinham como conhecimento técnico, mas, sobretudo, com a pessoa do professor. Naquele tempo, o modismo era a formação dos professores no âmbito sócio emocional. Parecia haver grande preocupação com o sócio emocional dos alunos. Mas, quem se preocupava com o sócio emocional dos professores? “Ele entrou e logo começou a atirar. Era um menino que tinha sofrido bullying (a gente corria pelo corredor e até pisava uma menina que já estava morta…” – neste dia de há vinte anos, num áudio recebido pelo WhatsApp , numa voz trémula, chorando, uma professora descrevia o modo como se salvara. Já se tornara rotina a  dramática situação por que passara. A Jaqueline partilhou uma frase do amigo Ailton. E o Valentim comentou: “Cada vez mais, o espaço da Educação nos processos educativos é restringid...

Fortaleza, 19 de outubro de 2043

E lá voltei a Fortaleza, para conversar com educadores e rever amigos. Também voltei para deixar um convite, pois senti que a secretária Dalila partilhava as mesmas preocupações da minha amiga Regina e de outros educadores com quem eu havia trabalhado, dez anos antes. Isso mesmo! Passara uma década sobre o meu voluntariado no Kerigma. Também, sobre uma intensa participação nas conferências preparatórias do PNE e sobre a elaboração do “Terceiro Manifesto da Educação”.  Esse documento fora aprovado na primeira C.O.N.A.N.E. – Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação – e acolhido pelo Ministro da Educação, na pessoa da minha amiga Jaqueline Moll. A Jaqueline fora subscritora do “Manifesto para uma Educação Democrática e Humanizadora”, de 2021. Eu acompanhara o excelente trabalho que ela havia desenvolvido no “Mais Educação”. E me orgulhava por estar ao lado dela e de outros admiráveis mestres, na assinatura desse manifesto, que era um convite à participação: “Nós, pr...

Cabrália, 18 de outubro de 2043

Nos idos de vinte, era frequente o anúncio de “novidades” requentadas e de velhas propostas embrulhadas em discursos novos. Eram publicadas sibilinas “recomendações” extraídas de compêndios de meados do século XX, descrevendo inexistentes práticas. Por exemplo: “Adotar a conceção de desenvolvimento integral no Ensino Médio implica estimular e fortalecer a autonomia do(a) estudante (…) para que possa se engajar nos estudos a partir dos seus interesses e necessidades, para construir e atuar pelo seu projeto de vida e agir coletivamente no desenvolvimento de sua comunidade. A escola deve adotar diferentes estratégias, considerando que as pessoas aprendem de formas e em ritmos diferentes, sendo diversos seus conhecimentos prévios, habilidades e inclinações.” Cadê o “desenvolvimento da comunidade” e as “diferentes estratégias”? O farisaísmo pedagógico não interrogava a existência de um “ensino médio”, não sabia explicar a sua existência, mas acrescentava a esses pedaços de senso comum mistu...