“Reconhecida internacionalmente como escola inovadora, que serviu de inspiração para muitas outras escolas, o Projeto Âncora pede socorro!“
Ainda guardo comentários à situação do Âncora “postados” no facebook:
“Rezo baixinho, mas cheia de convicção, a famosa oração dos alquimistas:
“Meu Deus, liberta-nos da horrível escuridão da nossa mente, ilumina os nossos sentidos”. Já não tenho a certeza que a ciência e a inovação resultantes do espírito investigador do ser humano se manifestem em toda a espécie Homo sapiens.”
Um Mário solidário versejava:
“Zé, pois é, meu irmão / Por falar em educação / Será que temos salvação? / Não diga adeus, ainda não / Incomode um pouco mais / Os acomodados de plantão / E viva com rima: Lauro de Oliveira Lima / E um salve, sem lamento: À Barsanulfo de Sacramento / Mineiro como Sebastião Rocha e Rubem Alves.”
A Janaina lembrava que escolas não são edifícios, que são pessoas e que as pessoas são seus valores. O Wilson e o Guga acrescentavam que “escolas são pessoas e não as instalações físicas.” E o Sérgio concluía:
“Esse momento do atual Âncora caiu pra mim como uma bigorna cai na cabeça. Mas seguimos esperançosos! Falo no plural, porque temos um núcleo hoje na escola, da qual a Kelly vem transmitindo saberes e indagações vindas do escolas transformadoras. Vira e "mexe, a gente toma uma acusação de estarmos querendo ser "moderninhos", mesmo usando ciência da educação do Brasil e do mundo já produzida há décadas!”
Uma Simone “brasileira, inovadora e gratuita”, como se descrevia, assim falava: “Essa é a escola Projeto Âncora. Iniciativa linda, que impactava muitas crianças e suas famílias, ensinando o protagonismo juvenil, o senso de comunidade, a resolução de conflitos, uma aprendizagem eficiente e para a vida.
Mas para quê?
Para termos brasileiros questionadores, críticos, pensantes! E é isto que está acontecendo. Um exemplo que deveria ser seguido, espalhado pelo Brasil todo, está morrendo por falta de verba. E o que podemos fazer? Sinto-me tão impotente, tão só, tão pequena.”
Uma corrente de apoio se formava. Porém, impotente para obstar à destruição de uma escola, que, na verdade, não estava morrendo somente por falta de verba, mas por outros motivos.
Em Cotia, o assistencialismo e a ignorância tinham vencido, mas a “alma" do projeto habitava nos educadores de uma bela equipe, a que eu tive a honra de pertencer.
A esperança não morreu, o projeto não pereceu. Em 2024, aquilo que fora o sonho do amigo Walter, apenas mudava de endereço: o Projeto Âncora migrava para São Paulo, para todo Brasil, para o mundo. Porque, como diria o poeta Aleixo, “quem prende a água que corre / é por si próprio enganado / o ribeirinho não morre / vai correr por outro lado.”
No abril de vinte e quatro, percorri Portugal de lés a lés, para ir ao encontro de educadores éticos, ajudando famílias, cuidando de professores vivos, alertando a sociedade para a necessidade de inverter um rumo educacional suicida.
Ainda vivíamos tempos sombrios, urgia apoiar projetos humanizadores. Porque, no primeiro dos encontros desse abril de 24, escutei as mesmas queixas e as mesmas “frases-feitas”, que havia escutado nos abrils do século passado.
