“Todos irmãos!” – Era assim que Francisco nos convidava, através de um singelo apelo, a assumir esse grande princípio dos Direitos Humanos: “Será possível aceitar o desafio de sonhar e pensar uma Humanidade diferente ".
Urgia dar forma concreta às palavras do Francisco, porque nos chegavam notícias de uma barbárie generalizada. Mas, a esperança de melhores dias se fortalecia, quando recebia mensagens de educadores, cujos generosos atos contribuíam para o advento de uma “Humanidade diferente”. Era raro o dia em que não chegassem e-mails como o da Nieve, que cuidava de crianças numa comunidade na zona sul de São Paulo:
“Paulo Freire e Rubem Alves são meus "combustíveis" de conceção de uma escola em que acredito e que tento contribuir para transformar.”
Ou a solidária mensagem da Joyce e do Glauber:
“Sinto muito tudo isso que acompanhei no grupo da Comunidade e me solidarizo contigo. Senti a forma como as coisas foram conduzidas no grupo muito desrespeitosas da sua pessoa, à potência da própria Associação e com a comunidade local. Não sou da diretoria, mas, como voluntária e amiga da Comunidade, fiquei sentida com tudo isso.
Queria deixar registrado meu carinho por você e honrar sua trajetória e seus cabelos brancos. Torço para que uma nova diretoria se forme e que o trabalho possa ser retomado, e ainda mais fortalecido.
Não é fácil construir um sonho e seguir na direção de uma utopia, percalços e desafios inúmeros aparecem no caminho, mas é grandioso continuar seguindo em frente.
Te desejo força, parcerias potentes e abraços calorosos.
Lembre-se que estamos por perto!”
No fevereiro de 2025, a Comunidade da Lagoa de Maricá estava a ser alvo de tentativas de destruição. Agradeci a manifestação de solidariedade:
“É nos momentos difíceis que os seres humanos se definem.
Resumiria a situação em dois ditos populares:
“Quando o barco corre risco de naufrágio, os primeiros a abandoná-lo são os ratos” e “Há cães que mordem a mão de quem lhes dá de comer”.
Os projetos com potencial inovador são feitos de resiliência e sofrimento. Muitas vezes, levados ao extremo de uma violência institucionalizada.
Gente de má índole tentava destruir a Associação criada na Comunidade da Lagoa de Maricá. Seria necessária a solidariedade de uma multidão para proteger pessoas que viviam em condições deploráveis, abaixo do limiar da pobreza. Não poderíamos permitir que pessoas egoístas e traiçoeiras extinguissem uma associação e o seu projeto, que prejudicassem crianças pobres e as suas famílias.
Entretanto, uma rede de comunidades de aprendizagem se formava. Nela, a família e a escola partilhavam a responsabilidade de educar. Em projetos de vida, nos quais a autoestima andava a par com a hetero-estima, onde cada ser humano era individualmente responsável pelos atos de todos os outros, onde a autoridade rimava com a liberdade e a firmeza rimava com a delicadeza, onde todos éramos seres únicos, irrepetíveis, especiais.
Foi, então, que eu decidi testar se éramos... TODOS.
Quem iria “dar a mão” àquela comunidade?
Quem iria “largar a mão”?
