Como vistes nas últimas cartinhas, os meus amigos pensavam bem e escreviam bem melhor, em teoria. Mas, qual seria o “caminho” da prática? Me remeti para o “caminho das pedras da Ponte”, um caminho seguro que, percorrido, se constituiria numa base de novos caminhos.No abril de vinte e cinco, a Escola do velho modelo educacional debatia-se com fenómenos emergentes do tempo do digital, reagindo como aprendiz de feiticeiro. Dever-se-ia proibir o uso do celular em sala de aula? Iria suster-se a injeção de dispositivos-paliativos, ou criar um modelo educacional que integrasse tecnologias efetivamente úteis?
Percebemos que um dos maiores problemas que enfrentávamos era a dependência de prazer instantâneo desenvolvido nas cabecinhas juvenis, profundas distorções da realidade, limitando o desenvolvimento da cognição. Necessário se mostrava ajudar os jovens a saber utilizar instrumentos de recolha de informação e comunicação, a saber utilizar a IA, para não serem utilizados por ela.
Do modo como as novas tecnologias iam sendo introduzidas nas escolas, nos fazia temer que se transformassem em panaceias, que apenas serviriam para congelar aulas em computadores, aulas que os alunos, acostumados ao imediatismo e à velocidade dessas tecnologias, acriticamente consumiram, sem resquícios de cooperação com o aluno vizinho, dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais.
A Internet era generosa na oferta de informação. Bastava “clicar” para repetir, até que a matéria seja compreendida. Tudo aquilo que um professor pudesse "ensinar" numa aula estava plasmado, de modo mais atraente, na tela de um computador.
Os professores do "futuro" iriam manter-se ancorados em aulas obsoletas servidas por lousas digitais, ou irão atualizar-se? Iriam replicar aulas congeladas no YouTube e em tablets, ou usar o digital ao serviço da humanização da Escola?
Com ou sem a utilização de novas tecnologias de informação e comunicação, a Escola precisaria de ser reinventada.
A Internet não era uma ferramenta, mas uma sociedade. Seria necessário saber o que fazer com ela. As escolas tinham-se enfeitado de novas tecnologias, mas sem lograr intensificar a comunicação e a pesquisa. O modo como as escolas utilizavam a Internet fomentava imbecilidade e solidão.
Nesse tempo de incertezas e transições, carecíamos de um novo sistema ético e de uma matriz axiológica clara, baseada no saber cuidar e conviver. Urgia estabelecer interação humana entre a escola e a cidade, capaz de dar sentido ao quotidiano das pessoas e influenciar positivamente as suas trajetórias de vida. Estaríamos, então, a contribuir para a criação de verdadeiros laboratórios de laços sociais onde a vinculação ética ao outro tivesse a marca da solicitude mútua.
As escolas careciam de espaços de convivencialidade reflexiva. Precisávamos compreender que pessoas eram aquelas com quem partilhávamos os dias, quais as suas necessidades, e cuidar da pessoa, para que ela se revisse na dignidade de pessoa humana e visse outros educadores como pessoas. Precisávamos exercer a consideração positiva incondicional de que falava Carl Rogers, de praticar a confirmação, no dizer de Martin Buber, de não perder a capacidade de aprender, que Freire explicitava:
“Busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho. Intervindo educo e me educo.”
Educar era um ato feito de amor e coragem. E, se nós sabíamos que amar significava agir, amorosa e corajosamente, agimos.
Percebemos que um dos maiores problemas que enfrentávamos era a dependência de prazer instantâneo desenvolvido nas cabecinhas juvenis, profundas distorções da realidade, limitando o desenvolvimento da cognição. Necessário se mostrava ajudar os jovens a saber utilizar instrumentos de recolha de informação e comunicação, a saber utilizar a IA, para não serem utilizados por ela.
Do modo como as novas tecnologias iam sendo introduzidas nas escolas, nos fazia temer que se transformassem em panaceias, que apenas serviriam para congelar aulas em computadores, aulas que os alunos, acostumados ao imediatismo e à velocidade dessas tecnologias, acriticamente consumiram, sem resquícios de cooperação com o aluno vizinho, dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais.
A Internet era generosa na oferta de informação. Bastava “clicar” para repetir, até que a matéria seja compreendida. Tudo aquilo que um professor pudesse "ensinar" numa aula estava plasmado, de modo mais atraente, na tela de um computador.
Os professores do "futuro" iriam manter-se ancorados em aulas obsoletas servidas por lousas digitais, ou irão atualizar-se? Iriam replicar aulas congeladas no YouTube e em tablets, ou usar o digital ao serviço da humanização da Escola?
Com ou sem a utilização de novas tecnologias de informação e comunicação, a Escola precisaria de ser reinventada.
A Internet não era uma ferramenta, mas uma sociedade. Seria necessário saber o que fazer com ela. As escolas tinham-se enfeitado de novas tecnologias, mas sem lograr intensificar a comunicação e a pesquisa. O modo como as escolas utilizavam a Internet fomentava imbecilidade e solidão.
Nesse tempo de incertezas e transições, carecíamos de um novo sistema ético e de uma matriz axiológica clara, baseada no saber cuidar e conviver. Urgia estabelecer interação humana entre a escola e a cidade, capaz de dar sentido ao quotidiano das pessoas e influenciar positivamente as suas trajetórias de vida. Estaríamos, então, a contribuir para a criação de verdadeiros laboratórios de laços sociais onde a vinculação ética ao outro tivesse a marca da solicitude mútua.
As escolas careciam de espaços de convivencialidade reflexiva. Precisávamos compreender que pessoas eram aquelas com quem partilhávamos os dias, quais as suas necessidades, e cuidar da pessoa, para que ela se revisse na dignidade de pessoa humana e visse outros educadores como pessoas. Precisávamos exercer a consideração positiva incondicional de que falava Carl Rogers, de praticar a confirmação, no dizer de Martin Buber, de não perder a capacidade de aprender, que Freire explicitava:
“Busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho. Intervindo educo e me educo.”
Educar era um ato feito de amor e coragem. E, se nós sabíamos que amar significava agir, amorosa e corajosamente, agimos.
