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Arrábida, 27 de agosto de 2045

(continuação)

É justamente por ser uma atividade complexa que a autoavaliação precisa ser praticada constantemente. Eles compreendem que é a partir da autoavaliação que podem seguir o planejamento. É uma prática cotidiana, que ensina a necessidade da reflexão no processo de construção do conhecimento.

“Aprendi muito com essa perspetiva de avaliação da Ponte. Gostaria de maiores esclarecimentos sobre o processo avaliativo destes alunos e como trabalhar com hábitos e atitudes para obter disciplina. Estou muito curiosa com esta escola e com sua vivência. E fantástico saber que existe neste mundo escolas que não precisam de portões e que seus alunos têm professor-tutor para auxiliá-los nas atividades escolares e que também estão responsáveis pelo contato com os familiares.”

Como é bom compartilhar esse sonho com vocês. Depois podemos compartilhar nossas próprias experiências, tenho certeza de que todos têm ricas histórias para contar. Realmente, a avaliação é encarada como processo, sem um carácter punitivo, sem a intenção de dar notas ou aproximar médias. O aluno é quem decide quando está preparado para a avaliação. Depois que percebe que já construiu conhecimentos com segurança, preenche o quadro "Eu já sei", a partir daí o professor já sabe que esse aluno se encontra em condição de ser avaliado.

Ela não vai ser classificada com uma nota, apenas saberá se conseguiu alcançar aquele objetivo curricular ou não.

Era comum escutar dos alunos "Eu quero uma avaliação!". Ou: "Faço avaliação, quando sinto que estou preparada e não quando o professor quer. O importante é que eu compreenda e não que memorize para responder numa prova". Lindo! É preciso dar muitas provas para aprender que não devemos dar provas…

Os hábitos e atitudes são trabalhados diariamente. A grande diferença é que eles fazem as coisas com calma! Não precisam correr com os conteúdos atitudinais para dar conta dos conceitos. Primeiro, é preciso formar atitudes!

Isso ficava muito evidente no trabalho da iniciação. O primeiro mês de trabalho das crianças menores é dedicado a questões atitudinais. Depois de muita conversa, elas já começavam a pedir a palavra e escutar a música. Além disso, há o espaço para o debate, artes: o despertar da sensibilidade.

“Gostaria de saber o seguinte: Como são ministradas e avaliadas as aulas de artes (Plásticas, dramáticas e musicais) na Escola da Ponte?

Como arte educadora que sou, tenho curiosidade de saber se na Escola da Ponte, há algum trabalho específico de artes com essas crianças.”

Na Ponte, existe convivência de professores de diversas áreas, nos mesmos espaços. Os professores de artes sempre estão presentes!

No início do ano não é possível perceber momentos específicos para se trabalhar artes, essas atividades podem acontecer durante as atividades nos espaços. A Ponte parece estar constantemente refletindo sobre suas práticas – e começamos a tentar estabelecer alguns horários específicos para as atividades com os professores de artes.

Acompanhei um trabalho muito interessante em parceria com a Casa da música da Cidade do Porto. As crianças ficaram verdadeiramente envolvidas com a construção do espetáculo.

Elas, realmente, construíram todo o processo: a história, o cenário, o figurino e, principalmente realizaram um belo trabalho de apreciação e produção musical. Era muito interessante perceber a dinâmica da escola nessa atividade – crianças de idades diferentes convivendo, com muitos professores envolvidos, e grande flexibilidade no panejamento da atividade.

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