(continuação)
É
justamente por ser uma atividade complexa que a autoavaliação precisa ser
praticada constantemente. Eles compreendem que é a partir da autoavaliação que
podem seguir o planejamento. É uma prática cotidiana, que ensina a necessidade
da reflexão no processo de construção do conhecimento.
“Aprendi
muito com essa perspetiva de avaliação da Ponte. Gostaria de maiores
esclarecimentos sobre o processo avaliativo destes alunos e como trabalhar com
hábitos e atitudes para obter disciplina. Estou muito curiosa com esta escola e
com sua vivência. E fantástico saber que existe neste mundo escolas que não
precisam de portões e que seus alunos têm professor-tutor para auxiliá-los nas
atividades escolares e que também estão responsáveis pelo contato com os
familiares.”
Como
é bom compartilhar esse sonho com vocês. Depois podemos compartilhar nossas
próprias experiências, tenho certeza de que todos têm ricas histórias para
contar. Realmente, a avaliação é encarada como processo, sem um carácter
punitivo, sem a intenção de dar notas ou aproximar médias. O aluno é quem
decide quando está preparado para a avaliação. Depois que percebe que já
construiu conhecimentos com segurança, preenche o quadro "Eu já sei",
a partir daí o professor já sabe que esse aluno se encontra em condição de ser
avaliado.
Ela
não vai ser classificada com uma nota, apenas saberá se conseguiu alcançar
aquele objetivo curricular ou não.
Era
comum escutar dos alunos "Eu quero uma avaliação!". Ou: "Faço
avaliação, quando sinto que estou preparada e não quando o professor quer. O
importante é que eu compreenda e não que memorize para responder numa
prova". Lindo! É preciso dar muitas provas para aprender que não devemos
dar provas…
Os
hábitos e atitudes são trabalhados diariamente. A grande diferença é que eles
fazem as coisas com calma! Não precisam correr com os conteúdos atitudinais
para dar conta dos conceitos. Primeiro, é preciso formar atitudes!
Isso
ficava muito evidente no trabalho da iniciação. O primeiro mês de trabalho das
crianças menores é dedicado a questões atitudinais. Depois de muita conversa,
elas já começavam a pedir a palavra e escutar a música. Além disso, há o espaço
para o debate, artes: o despertar da sensibilidade.
“Gostaria
de saber o seguinte: Como são ministradas e avaliadas as aulas de artes
(Plásticas, dramáticas e musicais) na Escola da Ponte?
Como
arte educadora que sou, tenho curiosidade de saber se na Escola da Ponte, há
algum trabalho específico de artes com essas crianças.”
Na
Ponte, existe convivência de professores de diversas áreas, nos mesmos espaços.
Os professores de artes sempre estão presentes!
No
início do ano não é possível perceber momentos específicos para se trabalhar
artes, essas atividades podem acontecer durante as atividades nos espaços. A
Ponte parece estar constantemente refletindo sobre suas práticas – e começamos
a tentar estabelecer alguns horários específicos para as atividades com os
professores de artes.
Acompanhei
um trabalho muito interessante em parceria com a Casa da música da Cidade do
Porto. As crianças ficaram verdadeiramente envolvidas com a construção do
espetáculo.
Elas,
realmente, construíram todo o processo: a história, o cenário, o figurino e,
principalmente realizaram um belo trabalho de apreciação e produção musical.
Era muito interessante perceber a dinâmica da escola nessa atividade – crianças
de idades diferentes convivendo, com muitos professores envolvidos, e grande
flexibilidade no panejamento da atividade.
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