Na transição para o vigésimo primeiro século, a Ponte ainda suscitava curiosidade. As perguntas não paravam de chegar até nós.
“Gostaria
de saber como acontece a avaliação deste projeto. No decorrer do ano, pela
observação das aprendizagens envolvidas? Por todos, em assembleia? Existe um
momento de avaliação (ou autoavaliação) somente entre professores do referido
projeto?
A
todas as perguntas respondíamos, em solidários atos.
Eu
não compreendi muito bem a sua referência a "um projeto comum que servirá
como tema e referência a toda a escola".
Nós
estabelecemos algumas linhas de ação para o nosso trabalho, no sentido de o
melhorar. Estas linhas de ação, fundadas no projeto educativo, resultam em
grande medida dos balanços efetuados no final do ano anterior. Estes balanços
são efetuados pelas tutorias, pelas responsabilidades, pelas dimensões, pelos
núcleos e pela equipa.
Paralelamente,
são realizadas aferições, num processo de transformação em que todos mudamos
algo.
Em
relação aos alunos considerados “especiais” – para nós, todos são especiais – é
levado em conta seu progresso frente às possibilidades anteriores.
“Leva-se
em conta que o caminho se faz passo a passo? Tais alunos dispõem de tempo e
estratégias de avaliação ainda mais diversificadas?
Nós
vemos cada aluno como um ser único, pelo que trabalhamos tendo por base as
características específicas dos mesmos. É neste sentido que se procura dar
resposta às necessidades individuais de todos, sendo necessário desenvolver
estratégias e metodologias que potenciem as capacidades de cada um, bem como
possam ir de encontro aos seus interesses e características.
O
respeito pela individualidade implica metodologias específicas,
independentemente do nível de dificuldades que cada aluno possua.
A
Escola da Ponte vale-se da avaliação formativa, a fim de que todos (crianças e
adolescentes) sejam protagonistas, sujeitos de seus processos históricos,
gestores de seus tempos e espaços, escolares e coprotagonistas de um projeto
maior, que não desconsidera a importância desse modo de ser e estar no mundo,
desse modo de negociar sentidos para as suas ações para melhor planejá-las e
executá-las, para transformar esse mundo mesmo que aí está.
“Tenho,
agora, especial interesse pela avaliação que vocês fazem do projeto da Escola
da Ponte, como um todo. Sabemos que vocês procuram fazê-la da maneira mais
participativa possível, favorecendo (como já disse) o protagonismo dos maiores
interessados em seu sucesso, dos alunos e pais.
O
projeto, imagino, lança olhares tanto para o desenvolvimento de cada um de seus
atores quanto para o do coletivo, pois interdependentes.”
Tenho
vivido no Brasil e sei que é comum que uma criança ingresse na 1ª série em uma
escola localizada ao lado de um córrego poluído e sair de lá, lá pela 8ª ou 9ª
série, com o córrego mais poluído ainda. Isso quando já não secou ou já não
pode mais ser chamado de córrego...
Fica
ela quase uma década a estudar a fotossíntese, os seres vivos, a importância
dos recursos naturais para a sobrevivência das espécies etc. e etc., ao lado de
uma possibilidade concreta de intervenção, sem que a escola, no entanto, lance
olhares para além de seus muros, intervenção essa que, se levada a efeito,
representaria (ou representa?) uma outra bela maneira de avaliar a pertinência
do projeto maior, projeto de vida abundante para todos.
Existem,
bem sabemos, inúmeras outras situações concretas a exigir-nos intervenções das
escolas... de coletivos. Escolas são pessoas! Não nos esqueçamos.
