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Silvado, 17 de agosto de 2045

Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço, como diria Immanuel Kant. Di-lo-ei de outro modo: o maior obstáculo à mudança para melhor sou eu, é o eventual leitor.

Muitos foram os cursos feitos, tendo como objeto de estudo o projeto “Fazer a Ponte”. Também foram muitos os educadores que se prontificaram a refletir sobre a sua práxis e partilhar os seus saberes. 

Conscientes de que esta partilha é, por demais, importante para ser esquecida, volto a dar a conhecer diálogos produzidos no decurso dessas ações de formação. 

São depoimentos de educadores que assumiram um compromisso ético com a Educação e, em particular, sobre o modo como se fazia (a faz) avaliação. Muitos dos depoimentos evidenciam contrastes, porque são múltiplos os olhares: de professores da Escola da Ponte; de ex-professores; de professores brasileiros, que visitaram a Ponte; de doutorandos e mestrandos, que fizeram o seu trabalho de pesquisa na Ponte; de ex-alunos; de pais de alunos; de amigos. 

Notamos que algumas perguntas são mais extensas do que as respostas que lhes correspondem. Outras afiguraram-se tão ricas de conteúdo, que já contêm em si as próprias respostas. 

Alguns comentários estão redigidos num designado “código restrito”, enquanto outros refletem o nosso linguarejar pedagógico. Os seus autores viveram o cotidiano da nossa escola. E esse exercício suscitou-lhes momentos de reflexão.

Quando a Escola da Ponte se prepara para comemorar o quinquagésimo aniversário do seu projeto, em livros, trabalhos acadêmicos e nas inúmeras palestras proferidas sobre a Ponte por esse mundo afora, esses autores permanecem anônimos. E anônimos permanecerão, porque os projetos humanos não são fruto de um esforço individual ou produto de um ser providencial, mas obra de pessoas que se encontram e partilham propósitos comuns. 

Um projeto humano é sempre um empreendimento onde se conjugam muitas mãos. À organização deste trabalho preside a intenção de dar a palavra a quantos, ao longo de todos estes anos, contribuíram para transformar um sonho em realidade, num discreto labor de trabalho em equipe. 

Pretende-se dar voz àqueles que viveram, vivem e sofrem a Ponte. Afirmar que a Escola da Ponte existiu, existe, num tempo e lugar de encontros e desencontros, independentemente do que o futuro lhe possa reservar. 

Esta poderia ser a resposta para a última das perguntas, de entre as que nos foram dirigidas: 

“Quais os sonhos sonhados por vocês para o futuro da Escola da Ponte? O que falta realizar?” 

O projeto da Ponte é a vida a recomeçar em cada dia, em cada gesto – como escreveu o amigo Rubem:

“Gente de boa memória jamais entenderá aquela escola. Para a entender é preciso esquecer quase tudo o que sabemos. A sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer é livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentaram em nós, e que nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são. 

Não é preciso que as coisas continuem a ser do jeito como sempre foram.”

Pois não, amigo Rubem. E as respostas dadas a quem fez oportunas perguntas são disso prova. Vamos a elas:

“Existe um processo de avaliação das crianças ao longo de um período? Caso afirmativo, como se dá esse processo? Que critérios são usados para avaliar os alunos?” 

Pai de ex-aluna respondeu: 

Ao ver como a avaliação acontece na Ponte, perguntamos: será que existe um processo de avaliação nas escolas “tradicionais”? Na Ponte a avaliação acontece o tempo todo. Cada passo que a criança dá é avaliado, a começar por ela mesma, pela auto avaliação.

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