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Silvado, 17 de agosto de 2045

Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço, como diria Immanuel Kant. Di-lo-ei de outro modo: o maior obstáculo à mudança para melhor sou eu, é o eventual leitor. Muitos foram os cursos feitos, tendo como objeto de estudo o projeto “Fazer a Ponte”. Também foram muitos os educadores que se prontificaram a refletir sobre a sua práxis e partilhar os seus saberes.  Conscientes de que esta partilha é, por demais, importante para ser esquecida, volto a dar a conhecer diálogos produzidos no decurso dessas ações de formação.  São depoimentos de educadores que assumiram um compromisso ético com a Educação e, em particular, sobre o modo como se fazia (a faz) avaliação. Muitos dos depoimentos evidenciam contrastes, porque são múltiplos os olhares: de professores da Escola da Ponte; de ex-professores; de professores brasileiros, que visitaram a Ponte; de doutorandos e mestrandos, que fizeram o seu trabalho de pesquisa na ...

Jardim Atlântico Leste, 16 de agosto de 2045

Ainda palavras do amigo Celso: “Qual o segredo das escolas que fazem diferença, das escolas que conseguem avançar substancialmente na aprendizagem efetiva, no desenvolvimento humano pleno e na alegria crítica de seus alunos?  É certo que tudo está relacionado, que devemos considerar os vários aspetos da  realidade escolar etc. Porém, não haveria alguns elementos essenciais, substanciais, nucleares, sobre os quais deveríamos colocar nossa atenção de forma muito especial?  O que é mais importante? Já que os recursos materiais e psíquicos são limitados, onde investir prioritariamente?  Muito sinteticamente, diríamos: pessoas e estruturas, estruturas e pessoas (repetimos os termos em ordem inversa para evitar escapismos dualistas). O “segredo” da Ponte está nas pessoas com uma nova sensibilidade, com um novo olhar sobre os alunos, capazes de construir novas estruturas escolares. Simultaneamente, está nas estruturas, na capacidade de reinventar a organização dos espaços, ...

Bananal, 15 de agosto de 2045

Fiquemos, mais um pouco, com as palavras do amigo Celso sobre a Avaliação, que na Ponte se fazia:  “A avaliação tem sido uma temática bastante enfatizada pelos professores. Para alguns, de facto, ela seria o que de mais importante acontece na escola, como se fosse um fim em si mesma e não um meio para se avançar nas grandes finalidades da escola (aprendizagem efetiva, desenvolvimento humano pleno e alegria crítica de cada um e de todos os alunos).  Não temos dúvida de que a avaliação é uma estratégia fundamental para a existência, considerando que não nascemos prontos, nem programados (nossa programação biológica, embora fundamental para a sobrevivência, é mínima face ao aprendizado que teremos ao longo da vida), que nos constituímos por nossa atividade e, ao agir, podemos acertar ou errar.  A avaliação nos ajuda na tomada de consciência dos acertos, o que é decisivo para o fortalecimento da autoestima, propiciando condições para novas aprendizagens (ampliação da Zona de ...