Gosto de ver nascer o sol, um dos momentos de diário convivo com o sagrado. Hoje, ao contemplar o nascer do sol e os pássaros ocupados na costumeira azáfama matinal, recordei outra manhã, uma manhã radiosa, que coloriu de esperança tempos sombrios de 2001. O meu amigo Rubem Alves passava alguns dias na minha casa. E, mais uma vez, o levei a visitar a Escola da Ponte. Pelo caminho, fomos escutando um concerto para piano. Estacionei o carro junto à escola, mas dele não saímos. Após escutarmos o segundo andamento, u m reverente silêncio se instalou em nós. Ao meu lado, visivelmente, emocionado, o Rubem enxugava furtivas lágrimas. Emocionado já eu o vira, nas nossas visitas ao seu sítio de Pocinhos de Rio Verde e a Valinhos. Nessas viagens, era o Rubem quem dirigia. E, sempre que ele parava a viatura, eu sabia que isso se devia a ter surgido a visão de um ipê. Quando perguntaram a uma criança quem tinha sido Rubem Alves, a criança respondeu: “ O Rubem era um homem que gost...