Nos idos de vinte e cinco, recebi esta mensagem: “Ao fim da manhã, em Guimarães, ouvindo António Nóvoa falar da Escola como um bem público e comum, fomos confrontados, no último dispositivo da sua brilhante intervenção, com George Steiner que nos inquiria: “Como foi possível tocar Schubert pela noite e marchar no dia seguinte, de manhã, para cumprir as ‘obrigações’ no campo de concentração? Nem a grande literatura, nem a música, nem a arte puderam impedir a barbárie total. Chegaram mesmo a ser o ornamento dessa barbárie. Com frequência proporcionaram uma decoração, uma fioritura, uma formosa moldura para o horror. O senhor Gieseking tocou Debussy - de maneira sublime, parece - enquanto na rua se ouviam os gritos daqueles que passavam pelas estações de Munique rumo ao campo da morte de Dachau. Porque é que as humanidades não nos humanizaram? Porque é que a cultura não nos tornou mais humanos?” Sinto-me sempre perturbado perante momentos como este porque acabo de esbarrar, ...