Um episódio trágico deu que pensar... Um aluno de escola próxima cometera suicídio – eu sei que custa aceitar a ideia do suicídio na infância, mas a criança em causa, ao que pude apurar, há muito evidenciava comportamentos que poderiam ter sido sinais de alarme – ficamos atentos a pormenores. A Inês ficava fixando os olhos num ponto qualquer e se ausentava. O Júlio infligia a si próprio um contínuo sofrimento, com qualquer objeto cortante que estivesse à mão, se automutilava. O Vasco alternava súbitos gritos com longos períodos de prostração. Falou-se de desencontros, de falta de comunicação, de sofrimentos. O que, até então, poderia ser considerado tabu, passou a ser encarado como déficit de atenção. Não que aqueles professores andassem distraídos, mas que não se perderia nada em atentar em insignificantes significâncias. A caixinha dos segredos (assim foi batizada pelos alunos) passou a encher-se de mensagens de seres sedentos de diálogo. Havia os que colocavam na caixinha papé...